Veja como funciona a revolucionária suspensão da Bimota Tesi

Muitos se perguntam como funciona aquele exótico sistema de suspensão muito utilizado pelas italianas Bimota e que parece possuir um braço oscilante no eixo dianteiro da motocicleta. Uma dúvida que vamos tirar aqui.

Bimota Tesi Hub Center SteeringO sistema se chama “Hub Center Steering” e, ao contrário do que se imagina, não foi inventado pela Bimota. Na verdade, sua origem vem de uma categoria de corridas bem apreciada por muitos, chamada MotoGP…

Bem, quase. O “Hub Center Steering” foi visto pela primeira vez em 1985 na então 500cc, hoje MotoGP. À procura de soluções alternativas que pudessem melhorar o desempenho e manobrabilidade em curvas, a petrolífera Elf, em parceria com a Honda desenvolveu um protótipo que utilizava braços oscilantes na dianteira e traseira.

O protótipo conhecido apenas com “Elf-Honda” marcou toda a segunda metade dos anos 80, sendo pilotado por Ron Haslam (o pai de Leon Haslam, hoje no World Superbike). Apesar de visualmente complexo, o sistema é mais fácil de explicar do que se imagina.

Como funciona?
Ron Haslam Elf Honda

Ron Haslam com a revolucionária “Elf Honda”, nas 500cc.

Para explicar de forma simplificada, o “Hub Center Steering” separa o direcionamento da moto das forças de suspensão e de frenagem. Por quê? Para melhorar o desempenho de cada sistema separadamente.

Em motos com garfos e bengalas convencionais, os dois princípios atuam nas mesmas peças com forças físicas interferindo umas nas outras. Você sabe o que acontece quando se freia uma moto no meio de uma curva, não é? A perda de estabilidade e aderência é drástica.

Em uma moto com dois braços oscilantes, a suspensão atua com 100% de eficácia em aceleração, frenagem ou curvas. Ao mesmo tempo, deixa livre a roda dianteira para esterçar sem sofrer os impactos físicos do amortecimento da suspensão, melhorando a estabilidade. Mas como diabos as rodas viram? Veja no exemplo abaixo:

Prós e contras

Enquanto o braço oscilante cuida dos sacolejos da suspensão, um sistema de cabos, braços e manivelas – até bem simples – se encarrega da direção, transmitindo a mensagem que o piloto está fazendo do guidão para a roda dianteira.

Dessa forma, as motos com esse sistema não “afundam” em frenagem, mantendo a geometria mais neutra e estável no limite. A rigidez do conjunto também é melhorada, permitindo que o freio seja utilizado com muito mais força e muito mais dentro da curva. Além de tudo, a posição baixa dos braços oscilantes também reduz o centro de gravidade, o que permite que as pinças de freio fiquem por baixo do disco.

Bimota Tesi Hub Center Steering 2Nem tudo são flores, no entanto. Nas primeiras Bimota Tesi, o “Hub Center Steering” tinha o inconveniente de esterçar pouco (apenas 17 graus), fazendo a moto precisar de muito espaço para manobrar fora da estrada. Entretanto, os modelos mais recentes resolveram esse problema e hoje o modelo tem a capacidade de manobra de uma superbike convencional.

Outro inconveniente é que o sistema de esterço necessita de muito mais peças móveis, como braços, tuchos, coxins e manivelas,  que precisam estar absolutamente bem ajustados e lubrificados para funcionar sem folgas. Senão, a precisão nas manobras fica comprometida. Lembre-se que não há conexão direta com as rodas como em um garfo convencional. O vídeo abaixo é mais um exemplo:

Apesar de antigo, o “Hub Center Steering” ainda é pouco conhecido e viu poucas motocicletas o utilizarem de forma consistente. Nos anos 1990, a Yamaha foi uma das marcas a se arriscarem com o modelo GTS 1000, hoje bastante raro.

Mas, sem dúvida alguma a grande vitrine da tecnologia é a Bimota Tesi, desenvolvida justamente para uma tese de mestrado de faculdade em 2000, por isso o nome. A primeira versão ainda utilizava garfos convencionais combinados com o braço oscilante. Mas, nesses 15 anos de evoluções a moto mudou constantemente, porque, como você pode ver, em quase todas as fotos, o amortecedor dianteiro está em uma posição diferente.

Galeria de Fotos

Via | Motorpasion Moto

Sobre Lucas Carioli

Amante de corridas, Rock’n Roll e das boas coisas da vida. É publicitário por formação, mas descobriu na arte do jornalismo a verdadeira vocação de sua vida, principalmente falando de automobilismo, a sua grande paixão desde 1989. Entre 2011-2014 atuou como editor do site Motorpasión Brasil. Quando não está escrevendo ou tocando contrabaixo, está perdido em alguma estrada com sua moto.

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