Conheça a fábrica de motores da Harley-Davidson, em Wisconsin


O som típico e inconfundível das Harley-Davidson ganha vida na “Pilgrim Road Powertrain Operations”, local onde são produzidos os motores Milwaukee-Eight, Twin Cam e Evolution que equipam os modelos das famílias Touring, Softail, Dyna e Sportster.

Localizada em Menomonee Falls (Wisconsin), entre a U.S. Highway 45 e a saída da Pilgrim Road, a Harley-Davidson Motor Company’s Powertrain Operations abrange quase 76 mil m² de espaço na cidade, a cerca de 21 km da sede da Harley-Davidson Motor Company, em Juneau Avenue.

O local sempre esteve relacionado aos motores: o edifício foi construído em 1979 pelo ícone dos pequenos propulsores, Briggs & Stratton e adquirido pela Harley-Davidson em 1996. A montadora permaneceu no endereço até 2006, depois de ter completado a transferência da linha de montagem de motores de sua fábrica da época da 2aGuerra Mundial, localizada em Capitol Drive, há alguns quilômetros de distância dali.

Temos capacidade de construir em 24 horas um motor encomendado”, diz o engenheiro de processo, Jared Olsen. “Nós conseguimos acompanhar quase que instantaneamente as mudanças de produção nas plantas de Kansas City e de York, ou enviar um motor de P&A (motores do catálogo de acessórios) imediatamente para um concessionário Harley-Davidson”, afirma.

Durante picos de produção, a Pilgrim Road emprega quase mil funcionários. Muitos deles estão envolvidos em usinagem e tratamentos térmicos, duas das competências centrais nas instalações da planta de Pilgrim Road. Fornecedores entregam matéria-prima forjada e fundida, pronta para trabalhos precisos de acabamento, executados pelos operadores das máquinas, que equipam centros de usinagem de ponta, controlados por computadores.

No extremo norte da unidade, uma esteira rolante alimenta as carcaças dos cabeçotes Twin Cam fundidas em um centro de usinagem de cinco eixos, que usina todas as superfícies planas, a câmara de combustão, assentamentos de válvulas; fura e faz a rosca do orifício da vela de ignição; e, em seguida, limpa todos os cavacos de alumínio em uma única operação.

Pilgrim Road Factory coverage for HOG MagazineEm outro centro de usinagem, um robô gigante é responsável pela união das metades direita e esquerda das carcaças, levantando cada parte sobre um jato de ar para afastar os detritos antes de juntá-los com parafusos e fios, usinando as cavidades dos rolamentos do virabrequim, garantindo alinhamento absoluto das superfícies. As metades da carcaça são carimbadas com um número de motor e continuam a ser um conjunto quando separados para a montagem final.

Antes de serem usinados, cilindros, cabeçotes, metades das carcaças e a caixa de transmissão são revestidos com um pó preto ou prata. Ele substitui a tinta molhada com um revestimento duradouro de resina de poliéster, aplicado na forma de pó e tratado em altas temperaturas. O revestimento é um processo ecológico que, ao contrário de pintura líquida, produz emissões zero de GCV (Gases de Compostos Voláteis) e quase nenhum resíduo perigoso.

A fim de atender às expectativas do cliente, a unidade gera e recicla anualmente mais de 4.500 toneladas de aço e alumínio. Grande parte do metal é de qualidade tão elevada que a Harley-Davidson lava esse material para aumentar seu valor de reciclagem.

A montagem do motor ocorre ao longo de uma linha de montagem limpa e bastante iluminada na forma de “U” duplicado. A montagem acontece simultaneamente nas linhas internas e externas durante o pico da produção, e em apenas uma linha de montagem quando a demanda é menor, ou pode continuar em qualquer uma, caso haja um problema na outra.

Em uma linha de produção flexível, a operação da Pilgrim Road e seus funcionários são capazes de montar todo o portfólio de motores em qualquer combinação ou ordem. Um motor Milwaukee-Eight pode estar na linha de montagem ao lado um Twin-Cooled Twin Cam 103 ou um Screamin’ Eagle 110. A Pilgrim Road também produz motores para Harley-Davidson Genuine Motor Parts & Accessories.

Muitas tecnologias e processos estão presentes nessa planta para ajudar os funcionários da montagem a manter o controle de qualidade. Cada motor é digitalizado para o computador no início da linha de montagem. Um sistema “pick to light” coloca uma câmera sobre caixas de peças pequenas, em cada estação de trabalho, para confirmar que o trabalhador alcance a parte adequada e na ordem correta. As telas de cada estação piscam uma luz verde indicando quando uma etapa de montagem foi concluída com êxito.

Em algumas estações, câmeras digitalizam o motor parcialmente montado e podem alertar um operador caso uma parte errada tenha sido colocada por engano, como por exemplo, se a junta do cabeçote foi colocada equivocadamente.

Perto do final da montagem, cada motor é “testado friamente” para verificar seu funcionamento. Ao invés de ligá-lo com combustível, este é girado por um motor elétrico de 60 a 1.600 rpm por cerca de 100 segundos. Dezenas de sensores colocados em torno do motor registram 250 pontos de dados, da pressão de óleo e saída de tensão até o som do comando de válvulas.

Todos esses dados são registrados em um histórico digital de cada motor, que pode ser rastreado se quaisquer problemas de serviço ou de garantia surgirem no futuro. Motores que não são aprovados no teste frio são enviados para uma área de reparo. Aqueles que são aprovados ganham um conjunto novo de velas de ignição, uma etiqueta com código de barras e são levados para fora da linha e fixados em pallets de transporte para equipar as motocicletas nas linhas de montagem final das cidades norte-americanas de York (Pensilvânia) e Kansas City (Missouri).


Sobre Lucas Carioli

Publicitário de formação, jornalista por opção, principalmente sobre o motociclismo, o único "ismo" que pratica. Quando não está escrevendo ou tocando rock, está perdido em alguma estrada com sua moto.