Os diferentes quadros de moto


Cada moto que pilotamos na vida possui um quadro construído e idealizado de acordo suas pretensões de uso, que podem ser bem diferentes, dependendo do modelo. Pode não parecer, mas isso causa uma influência direta no prazer que cada motociclista sente ao pilotá-las.

2008-Ducati-1098RSuperbikefA principal função de um quadro de motocicleta é semelhante ao do esqueleto do corpo humano: manter unidas as diferentes partes de uma estrutura rígida. Entretanto, motos diferentes suportam torções diferentes. Por isso, em mais de 100 anos de evolução, esse esqueleto ganhou diversas formas.

A utilização de um chassi específico reflete-se no comportamento da motocicleta. Um quadro adequado pode contribuir para a alegria do passeio, fazendo o modelo contornar curvas sem esforço, ganhar em estabilidade, tanto em retas como sob frenagem, o que naturalmente contribui para a confiança e bem estar do piloto.

Existe uma grande variedade de quadros de motocicletas disponíveis no mercado, atualmente. Cada um com sua própria vantagem (para o fabricante) e benefícios (para a moto e o motociclista). Confira aqui os principais.

Espinha dorsal (Backbone Frame)

Sundown Hunter 100

Sundown Hunter 100 e seu quadro tipo “espinha dorsal”.

Um dos chassis mais simples que existem é o tipo backbone. A estrutura do quadro consiste-se em uma base muito parecida com a de uma “espinha dorsal”, conectada diretamente à direção. A rabeta é aparafusada à ele, assim como o motor.

Definitivamente não é um quadro que se destaca pela rigidez, portanto não é indicado para pilotagens esportivas. Por isso, é uma estrutura vista apenas nos modelos mais simples de motocicleta, como a Sundown Hunter 100 e Dafra Super 100. Contudo, sua construção simples mantém os custos de produção baixos.

  • Vantagens: construção simples, custos baixos
  • Desvantagens: pouca resistência, altos níveis de torção

Diamante (Diamond frame)

620px-Diamond_frame_typeO chassi do tipo diamante é um dos mais comuns. Eles receberam esse nome inspirados no quadro de uma bicicleta que têm uma forma que lembra o cristal e, por causa de sua concepção mista, une boa rigidez e baixo custo.

Em uma motocicleta, há um tubo inferior que está ligado à direção numa extremidade e ao motor na outra. Aqui, o propulsor contribui para a rigidez e é um elemento chave da tensão no chassis. Quase todas as estruturas são feitas de aço, mas há casos de modelos em alumínio também.

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A popular Honda CG 150 Titan possui um quadro tipo diamante, bastante simples.

Esse é um chassi com muitas variáveis e subdivisões, portanto há uma enorme variedades de motocicleta que o utilizam, desde a popularíssima Honda CG 150 Titan, passando pela média CB 500, que possui um diamante com estrutura treliçada.

  • Vantagens: construção relativamente simples, com boa rigidez e baixos custos
  • Desvantagens: em motos potentes, tende a torcer em demasia

Berço simples, duplo e semi duplo (Cradle Frame)

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Um chassi do tipo berço semi duplo da KTM.

Os chassis do tipo berço também são bastante populares, e um dos mais antigos. Assim como no diamante, essa espécie de quadro também tem um tubo que desce da direção até o motor, aqui porém envolvendo-o por baixo. O propulsor fica por dentro, com se estivesse acomodado em um berço.

Há três tipos: berço simples, berço duplo e semi duplo. Seu uso é bastante variado, já sendo visto em uma infinidade de motos, desde as trail, street, esportivas e até custom. É o chassi da Yamaha RD 350, Honda CB750F “sete galo”, Suzuki Bandit 650N, de diversas Harley-Davidson, entre muitas outras.

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A popular Yamaha RD 350 LC possui quadro de berço duplo.

  • Vantagens: a construção ainda é simples, com boa resistência à torções
  • Desvantagens: Obsoleto, limita bastante ousadias no design. Em altas velocidades, o chassi oscila bastante

Treliça (Trellis Frame)

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Quadro em treliça da Ducati Monster 1200.

O quadro de treliça é formado por tubos de soldagem arranjados como se fosse uma gaiola. Ao contrário dos chassis mencionados acima, o tipo treliça não tem uma “espinha dorsal” e um tubo saindo da direção.

O motor é sustentado pelo quadro, que pode circundá-lo ou uni-lo, desde a base do guidão até à balança (braço oscilante). Esses quadros são leves e com um design que favorece muito a pilotagem esportiva.

01_bXXXO tipo treliça é o quadro favorito das fabricantes Ducati, KTM, Bimota entre outras. Como os tubos têm de ser soldadas entre si, a sua construção é um pouco mais complexa. Normalmente eles são compostos de alumínio, o que eleva bastante os custos. Por isso é raro vê-los em motos acessíveis.

  • Vantagens: ótima rigidez, tornando-o uma boa opção para pilotagens esportivas. Seu design também favorece amplas opções “artísticas”.
  • Desvantagens: Construção complexa e de alto custo.

Dupla trave ou monotrave superior (Perimeter Frame, Twin spark/beam frames)

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A Suzuki B-King utiliza um quadro em dupla trava de alumínio.

Os quadros em dupla trave (também monotrave superior) consistem em uma estrutura parecida com a de treliça, ou seja com uma estrutura que vai da base da direção até o braço oscilante. Aqui, no entanto, não se utilizam tubos e sim uma base sólida, na qual o motor fica suspenso por dentro.

Sua constituição robusta e design arrojado o torna ideal para pilotagem esportiva, porque seus níveis de torção são muito baixos. Não é a toa que é o chassi mais utilizado em superbikes, como Yamaha R1, Honda CBR, Kawasaki ZX-10, entre muitas outras. Também já foi visto em algumas street como, por exemplo, a Triumph Street Triple 675.

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A musculosa seção central do chassi da Honda CBR 1000 Fireblade 2004.

Por ser sólido e leve (quase sempre de alumínio, ou materiais ainda mais nobres como titânio e fibra de carbono) o chassi em dupla trave é caro de ser produzido, sendo rara sua aparição em motocicletas mais baratas.

  • Vantagem: excelente rigidez e baixo peso. O ideal para pilotagem esportiva
  • Desvantagens: construção cara demais para colocá-lo em motos acessíveis

Monbloco (monocoque)

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A Kawasaki ZX-14 utiliza chassi monocoque.

O tipo monobloco tem utilização mais comum entre os carros, onde os painéis da carroceria formam o chassi e não há nenhum quadro separado, o que reduz o peso, aumenta muito a precisão e melhora a dirigibilidade.

Nas motos, no entanto, esse sistema ainda é bastante incomum. Ducati e Kawasaki, porém, inovaram nesse sentido, com a 1199 Panigale e ZX-14. Nessas motos, não há nenhum quadro separado e peças como a caixa de ar e o motor formam uma parte do chassis.

12ZX1400E_US_FrameEsse quadro já foi visto outras vezes, mas seu uso em motos de série é raro. É de produção cara, complexa e ainda não completamente desenvolvida, tanto que na MotoGP, a Ducati ainda utiliza o tipo dupla trave, mesmo já tendo realizado experiências com o monobloco.

  • Vantagem: redução drástica no peso, boa rigidez, ótima maleabilidade
  • Desvantagem: custos de produção, estágio de desenvolvimento incompleto


Sobre Lucas Carioli

Publicitário de formação, jornalista por opção, principalmente sobre o motociclismo, o único "ismo" que pratica. Quando não está escrevendo ou tocando rock, está perdido em alguma estrada com sua moto.

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