Chefe de Rossi comenta problemática temporada 2017: “Utilizamos quatro chassis diferentes”


O chefe dos mecânicos de Valentino Rossi, Silvano Galbusera deu declarações reveladoras sobre a desastrosa temporada 2017 da Yamaha. O italiano, que classificou o ano como “terrível” disse que a marca tentou soluções desesperadoras e afirma que Honda e Ducati estão um passo à frente em termos de eletrônica.

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Galbusera e Rossi: dificuldades para entender a M1 2017. (Yamaha/MotoGP)

Galbusera, que desde 2014 substitui o lendário Jeremy Burgess da função de braço direito de Rossi, deu uma longa entrevista ao renomado jornalista britânico Mat Oxley no motorsportmagazine.com. O técnico afirma que, no final de 2016, todos estavam satisfeitos com o desenvolvimento da YZR-M1 2017.

“Em 2016 Valentino tinha boas sensações com a moto, mas o pneu traseiro ficava destruído restando cinco ou seis voltas para a bandeirada”, explicou Galbusera. “Para 2017, a Yamaha modificou a moto para salvar o pneu, mas Valentino perdeu o sentimento que ele precisava. Não demorou muito para ver que o M1 2016 era mais fácil de pilotar”, revela.

Apesar disso, o arranque da temporada foi bastante bom para a Yamaha, que venceu a primeira etapa no Catar e a segunda na Argentina. Triunfos que só serviram para confundir ainda mais a equipe técnica. “No início de 2017 descobrimos que a nova moto não era 100% para Valentino. Não conseguíamos encontrar o acerto certo”, afirma.

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De acordo com Galbusera, Rossi não se sentiu à vontade na M1 ao longo do ano. (Yamaha/MotoGP)

Apesar dos problemas a marca dos diapasões não desistiu facilmente e Galbusera revela que eles quatro chassis diferentes ao longo do ano: “A Yamaha mudou um pouco o chassi original com diferentes geometrias e rigidez semelhante, mas Valentino nunca teve a sensação de que ele tinha em 2016″, confessa.  “Começamos com a versão 2017 no Catar, depois o 2017.1 de junho, 2017.2 de agosto, antes de voltarmos a usar a versão de 2016 em Valência. Tempos desesperadores requerem medidas desesperadoras“, admite.

Além de não se sentir bem na moto, Galbusera conta que o consumo do pneu traseiro continuou a ser um problema, principalmente para Rossi. “Maverick é mais leve do que Valentino, então ele é mais gentil com o pneu traseiro”, compara Galbusera. “Valentino é mais alto e pesado, então ele precisa de um ajuste um pouco mais forte. As configurações de Maverick são mais parecidas com as de Jorge Lorenzo”.

“Para lidar com isso [o consumo do pneu traseiro], reduzimos a potência, o que salvava o pneu, mas nos custava em aceleração. Este foi um momento crítico, porque não podíamos usar toda a força do motor porque a motocicleta não conseguia acelerar sem destruir o pneu,” explica. Para Galbusera, a chave do sucesso de Honda e Ducati está na eletrônica, graças à uma maior proximidade com a Magneti Mareli, fabricante da centralina padronizada.

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Para Galbusera, Honda e Ducati estão um passo à frente da Yamaha em termos eletrônicos. (MotoGP)

“Ducati e Honda cresceram e você pode perceber ouvindo o som de suas motos. Eles também podem contar com membros da equipe que trabalharam na  Magneti Marelli”, aponta Galbusera antes de explicar por que a Yamaha não faz o mesmo. “Não creio que haja ninguém que tenha esse tipo de experiência”.

Para 2018, a Yamaha decidiu passar uma borracha completa em 2017 e está trabalhando na nova M1 tendo como base o modelo de 2016 novamente. Galbusera também acredita que agora os resultados serão melhores porque a Michelin voltou a oferecer um composto mais propício ao estilo de Rossi: “Eu não sei por que Michelin mudou o pneu para 2017. Com certeza, foi melhor para Valentino quando eles voltaram para o pneu mais duro, porque isso lhe dá mais apoio”. O lançamento da nova moto acontece em 24 de janeiro.


Sobre Lucas Carioli

Publicitário de formação, jornalista por opção, principalmente sobre o motociclismo, o único "ismo" que pratica. Quando não está escrevendo ou tocando rock, está perdido em alguma estrada com sua moto.