Dez motocicletas de produção com motor V4


O recente lançamento da Ducati Panigale V4 reacendeu o interesse do público por modelos com motores de quatro cilindros em V, configuração que não é muito comum de ver nas ruas. Mas, várias motos já foram lançadas assim antes, inclusive pela própria marca. Vejamos aqui algumas delas.

10 – Ducati Desmosedici RR (2008)

ducati-desmosedici-rr-e-ducati-gp6-motogpSim, comecemos pela mais óbvia delas, a Desmosedici RR. Em meados de 2007, a Ducati vivia o melhor momento de sua história na MotoGP. Casey Stoner fazia Valentino Rossi comer poeira e, ao final do ano venceria o campeonato com folga, até hoje o único título da marca italiana na Categoria Rainha.

Como era de se esperar, a Ducati quis capitalizar em cima desse bom momento e criou a Desmosedici RR, uma superbike totalmente inspirada na GP7 pilotada por Stoner nas pistas. O motor era um V4 de 989cm³ inclinados à 90º capaz de oferecer 200 cv de potência, um assombro para a época. O quadro era em fibra de carbono e a balança de alumínio.

Com rodas de magnésio, a Desmosedici RR (de Racing Replica) era a primeira moto de série a obtê-la. Pelo salgado preço de R$ 270 mil, o comprador ainda levava um Kit de competição que incluía um escapamento diferente e mais recursos eletrônicos. Uma chegou a dar as caras no Salão de Motos de São Paulo.

09 – Matchless Silver Hawk (1931)

matchless-silver-hawk-1930Muito antes da MotoGP ou de sonharmos com motos esportivas, a inglesa Matchless já fabricava uma superbike. A Silver Hawk foi apresentada no Salão de Londres de 1930 e possuía motor de 592 cm³ com 4 cilindros em V inclinados à apenas 18º. Era capaz de produzir bons 30 cv de potência e impulsionar o corajoso motociclista da época a mais de 130 km/h. Imagine isso em 1931!

O câmbio de quatro marchas era acionado através de uma alavanca no lado direito do tanque, como em um carro. O quadro também era bastante avançado para a época, em formato de flecha e com um sistema de suspensão traseira diferente de suas contemporâneas: eram dois amortecedores mecânicos de fricção com molas no centro do chassi, anos antes do Pro-Link da Honda. E eram reguláveis pelo proprietário.

A Silver Hawk teve vida relativamente curta no mercado, tendo a sua produção encerrada em 1935. Mesmo assim, foi mais longe do que sua rival Brough Superior Austin Four, que também ostentava um violento V4 (de 797cc), mas que durou apenas dois anos. 1932/1934).

08 – Honda GL1000 Gold Wing (1975)

honda-gl1000-gold-wing-1975Hoje nem parece, mas a primeira Honda Gold Wing não possuía motor de seis cilindros em linha e sim um portentoso quatro cilindros em V bem inclinados longitudinalmente (na verdade, um boxer de quatro cilindros). Naquele ano inicial, a motocicleta era uma sport-touring convencional e o propulsor de 999cc oferecia 82 cv à 7.500 rpm com um torque de 85NM a 5.500 rotações.

A partir do ano seguinte, a Gold Wing começaria a sua trajetória de sucesso pelo mundo, acumulando peso, tamanho e potência. No entanto, o motor (que cresceu para 1100cc em 1979 e 1200cc em 1983) permaneceu flat four até 1987, quando foi introduzida a revolucionária GL1500 com seu silencioso seis cilindros boxer. O resto da história, vocês conhecem.

07 – Honda VFR1200F (2008)
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Honda VFR1200F: V4 amigável. (Witold Grzesiek)

A Honda é uma das marcas que mais gosta de motores V4, como você ainda vai notar nessa seleção. Além de considerar a configuração ideal para esportividade máxima (como na MotoGP), a marca da asa aposta nessa engenharia quando o objetivo é viajar rápido, como no caso da VFR1200F, em produção atualmente inclusive no Brasil, como importada.

Herdeira de uma longa tradição (já está na sétima geração), a VFR1200F atual (que significa Very Friendly Riding) foi lançada no Salão de Colônia de 2008 e oferecia um desbunde de tecnologia para época, que impressiona até hoje. O ponto mais polêmico é a transmissão com dupla embreagem (DCT), hoje disponível também na versão Crossruner, assim como na CRF1000L África Twin e X-ADV.

Com 1237 cm³, o V4 possui angulação de 76º, quatro válvulas por cilindro e acelerador ride-by-wire, sendo capaz de oferecer 172 cv de potência a 10.000 rpm, com um torque de 114.81 NM à 8.750 rotações por minuto. A balança traseira é monobraço e os freios, com 320mm na dianteira são de competição.

06 – Aprilia RSV4 (2008)

aprilia-rsv4-factory-works-kit-2018-1Hoje podemos dizer que os brasileiros conhecem várias marcas e muitos tipos de moto. Já faz alguns anos que – felizmente – as montadoras vieram em peso ao país. No entanto, existe uma máquina que quase ninguém aqui conhece ou pôs suas mãos em uma. Estamos falando, é claro, da espetacular Aprilia RSV4.

Apresentada na Itália em fevereiro de 2008, a RSV4 possui um poderoso engenho de 999cc e 4 cilindros em V inclinados à 65º, capaz de gerar mais de 200 cv de potência ao experiente piloto que a possuir. A sua eficiência foi comprovada na pista, já que venceu o título do World Superbike em 2010, 2012 e 2014.

Nos últimos anos, a Aprilia também está participando da MotoGP, um motivo a mais para deixar a RSV4 ainda mais nervosa. O modelo 2018 possui duas versões diferentes, RSV4 RR e RSV4 RF, que incluem até as famosas (e execradas) asas em suas carenagens. Um verdadeiro míssil que não deve em nada à própria Panigale V4.

05 – Yamaha V-Max (1985)

Yamaha V-MAX Sport Heritage (2016) 7A Yamaha também já se aventurou pelos caminhos dos quatro cilindros em V e seu exemplo mais proeminente é, sem dúvida, a V-Max, uma mistura de custom com dragbike que causou muito furor quando foi lançada em 1985. Tanto é que ganhou o título de “moto do ano” pelo Cycle Guide.

Debaixo de sua carroceria musculosa, a V-Max ostenta um V4 de 1.197cc, com 70 graus de inclinação, capaz de produzir 200 cv de potência, o mesmo que uma BMW S1000RR, a apenas 9.000 rpm. O torque é de brutais 17 kgf.m. O câmbio, por outro lado tem apenas cinco marchas, detalhe que quase não é notado, já que o seu negócio não são as pistas e sim as ruas.

Outro detalhe interessante das V-Max é o “V-Boost”, um sistema que abre as borboletas das válvulas no coletor de admissão entre os cilindros a partir de 5.750 rpm. Uma pequena caixa manda um sinal eletrônico à um servo motor que puxa um fio para abrir as borboletas, o que acontece totalmente até os 8.000 rpm. O recurso acrescenta 10% a mais de potência ao motor.

4) Honda VF1000R (1984)

honda-vf1000r-1984Apresentada na Europa em março de 1984, a VF1000R era a versão de rua da FWS1000, uma motocicleta de competição desenvolvida pela Honda para participar da Daytona 200 e do campeonato norte-americano. Nos Estados Unidos, eles ainda fizeram uma versão sport-touring chamada de VF1000F “Interceptor”.

O motor V4 de 998cc possuía cabeçote com duplo comando e quatro válvulas por cilindro, que rendia bons 115 cv. A suspensão com Pro-Link atrás era totalmente ajustável na dianteira e na traseira. Apesar da tecnologia de ponta para a época, a moto era pesada para pilotar e teve vida curta no mercado tendo sido descontinuada em 1987.

03 – Honda NR (1992)
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Honda NR: Tecnologia de ponta em 1992. (Motociclismo)

Um verdadeiro mito sobre duas rodas, a Honda NR (de New Racing)  foi apresentada com furor em 1992 por possuir quatro cilindros “ovais” em seu bloco. Uma história curiosa que começou bem antes, quando a marca japonesa tentava alcançar a Yamaha e a Suzuki no Mundial de Motovelocidade (500cc).

Resumidamente, o que aconteceu foi que a Honda, quando decidiu retornar ao campeonato, no fim dos anos 70, queria vencer à sua maneira, ou seja, com motores de quatro tempos. Mas para superar as dois tempos (Yamaha e Suzuki), isso só seria possível com propulsores com seis ou mais cilindros, o que já era proibido pelo regulamento.

A solução da Honda? Montar um motor de oito cilindros, mas com as câmaras e pistões ligados entre si em formato oval. Na prática eram quatro cilindros, portanto dentro do regulamento. Uma ideia tão brilhante que a NR merece uma matéria só para ela. Ah, o resto da moto é composto por partes de carbono e titânio. Apenas 300 unidades numeradas foram vendidas na época.

2) Yamaha RD500 (1984)
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Yamaha RD500LC: V4 e dois tempos. (Yamaha/Divulgação)

Irmã estrangeira e maior de nossa conhecida “Viúva Negra”, a RD500 é a versão para as ruas da YZR-500, que barbarizava no Mundial de Motovelocidade com Kenny Roberts, Eddie Lawson, Randy Mamola e outros craques durante os anos 80. A marca dos diapasões também aproveitou o seu sucesso nas pistas de corrida.

O motor era um quatro cilindros em V, com 499 cm³ e 50 graus de inclinação. A potência girava em torno dos 88 cv, mas como se tratava de um dois tempos, o seu comportamento altamente explosivo sugeria muito mais. Para completar, vinha acompanhada da válvula “YPVS” (Yamaha Power Valve System), mecanismo acionado na janela de escape do cilindro a partir dos 5.500 rpm, que aumentava a potência em altos giros.

Apesar de todo o potencial esportivo, a RD500 teve vida curta no mercado devido às restrições ambientais. Nos Estados Unidos, a motocicleta foi considerada inapta e, embora tenha sido comercializada em diversos países (com alterações na sigla), o modelo foi descontinuado em 1986. Mas ainda faz a cabeça de amantes de dois tempos mundo a fora.

1) Honda RC30 (1988)

honda-vfr750r-rc30-1987-capaA Honda VFR750R (também conhecida por sua sigla técnica RC30) talvez seja a motocicleta de rua com motor V4 mais emblemática de todos os tempos. O modelo foi desenvolvidao para a entrada da marca no recentemente criado World Superbike e continha tudo o que a tecnologia da época tinha a oferecer.

O motor era um quatro cilindros em V de 748cc, com duplo comando, 16 válvulas e refrigeração líquida, capaz de gerar 120 cv a 11.000 rpm. Embora não seja uma potência de tirar o fôlego, a RC30 tinha componentes genuinamente retirados das pistas, como bielas de titânio, rodas O.Z, e embreagem deslizante, uma novidade na época.

Sucesso nas pistas (foi campeã do WSBK com Fred Merkel em 1988 e 1989), a moto também era uma das motos mais bonitas de seu tempo, adornada nas cores da HRC (Honda Racing Corporation). Na traseira, a balança traseira monobraço deixava à mostra a chamativa roda branca. Apenas três mil foram produzidas e vendidas a 15 mil dólares. Pergunte a qualquer fã com mais de 40 anos e certamente a RC30 estará entre suas prediletas.


Sobre Lucas Carioli

Publicitário de formação, jornalista por opção, principalmente sobre o motociclismo, o único "ismo" que pratica. Quando não está escrevendo ou tocando rock, está perdido em alguma estrada com sua moto.