As 10 maiores rivalidades do motociclismo


O Grande Prêmio da Argentina realizado domingo passado (8) reacendeu com toda a força as desavenças praticamente irreconciliáveis entre Valentino Rossi e Marc Márquez. Mas quais outros pilotos brigaram nesse mesmo nível no motociclismo? É o que você descobre aqui.

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Carl Fogarty e Scott Russell: sem papo entre eles.

Diferenças de personalidade existem em qualquer nível e no esporte a motor não é diferente. Em um ambiente tão competitivo é até esperado que desavenças aconteçam, já que o foco dos pilotos é apenas um: a vitória e o sucesso. Tudo que fica no meio do caminho é encarado como uma ameaça.

Ao longo da história vários casos de rivalidade foram registrados em maior ou menor nível. Não pudemos compilar todos evidentemente, mas aqui estão os principais deles. Se você notar, todos tem algo em comum: um título mundial. Esse pequeno detalhe revela a ambição que é necessária para se tornar o melhor de sua categoria.

10 – Mike Hailwood x Giacomo Agostini

giacomo-agostini-e-mike-hailwood-60sDuas lendas absolutas das pistas, Mike Hailwood e Giacomo Agostini, curiosamente possuem uma origem semelhante: ambos vieram de famílias abastadas e tiveram condições de se dedicar ao esporte desde cedo. Mas enquanto o inglês, filho de um pródigo vendedor de motos era incentivado a seguir carreira, o italiano descendente de um rico industrialista precisou batalhar mais para mostrar o que sabia fazer.

Sua grande chance veio em 1965, quando conseguiu convencer o difícil ‘conde Agusta’ a ingressar na MV Agusta, onde Hailwood reinava absoluto. Agostini logo mostrou a que veio, terminando seis corridas em segundo lugar, logo atrás do britânico. O titulo ficou mais uma vez com ‘Mike The Bike’, que deixou a equipe acusando-os de dar preferência ao jovem italiano.

Hailwood se refugiou na Honda, que estava fazendo um grande investimento em corridas. Pilotando a indomável RC181, o britânico travou duelos épicos com Agostini, agora na posição de líder da MV Agusta, mas não teve jeito: o italiano emplacou sete títulos consecutivos na classe principal. Mike, no entanto, conseguiu vencê-los duas vezes nas 350cc.

09 – Phil Read x Bill Ivy

phil-read-e-bill-ivy-gp-da-espanha-1968A Yamaha demorou para se estabelecer na Categoria Rainha do motociclismo, mas sua presença nas classes menores é vitoriosa há muito tempo. Em 1968, a marca dos diapasões monopolizava as 125cc e 250cc, muito disso graças à força da dupla, Phil Read e Bill Ivy, dos dos maiores pilotos de todos os tempos.

Read já era uma força do motociclismo, tendo vencido para a Yamaha o título das 250cc em 1964 e 1965. Nos dois anos seguintes, com uma problemática moto de 4 cilindros, o britânico perdeu a coroa para o conterrâneo Mike Hailwood, da rival Honda.

Bill Ivy, por outro lado era um jovem promissor que havia ganhado a chance de competir pela Yamaha no lugar do lesionado Mike Duff. Após vencer suas primeiras corridas em 1966, o britânico dominou completamente a classe 125cc em 1967 vencendo oito das doze corridas, superando justamente Read.

O domínio fez com que a Yamaha precisasse administrar a situação para 1968, promovendo um “acordo de cavalheiros” entre os dois pilotos. Enquanto Read ficaria livre para vencer novamente nas 125cc, Ivy tentaria fazer o mesmo nas 250cc, sem que um interferisse no outro.

Acordo firmado, Read logo garantiu o título das 125cc. O britânico, no entanto, decidiu que também queria a coroa das 250cc, desobedecendo as ordens e mandando o acordo para o espaço. Os dois acabariam o campeonato absolutamente empatados nos pontos, e o desempate foi feito nos tempos totais da corrida, o que deu o título à Read.

Ivy ficou tão decepcionado que anunciou sua aposentadoria do motociclismo. Depois de uma curta passagem pela Fórmula 2, acabaria voltando às duas rodas onde faleceu em um acidente em 1969. A Yamaha ficou tão furiosa que demitiu Read. O britânico nunca mais pilotaria pela marca oficialmente.

08 – Barry Sheene x Kenny Roberts
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Sheene e Roberts no polêmico GP da Inglaterra de 1979. (Divulgação)

O primeiro piloto a conseguir frear Giacomo Agostini foi Barry Sheene. Dono de um exuberante estilo de pilotagem e de vida, o britânico superou o italiano pela primeira vez em 1975 e não teve dificuldades em conquistar o título nos dois anos seguintes, 1976 e 1977. As 500cc tinham um novo rei!

O reinado de Sheene durou pouco, no entanto. Em 1978 chegou à Europa um sujeito estranho chamado Kenny Roberts. De poucas palavras e cara amarrada, o californiano era a total antítese de Sheene, que adorava ser o centro das atenções. Mas com seu talento lapidado em corridas de dirty track, Roberts foi campeão em seu ano de estreia e também nos dois seguintes, o que fez Sheene perder a paciência.

Um exemplo disso aconteceu no Grande Prêmio da Inglaterra de 1979, em Silverstone. Após ultrapassar Roberts na reta dos boxes, Sheene levantou o dedo do meio para o rival em plena curva Copse evidenciando como estava o clima entre os dois. A vitória, no entanto ficaria com o piloto da Yamaha por apenas 30 milésimos.

Para botar ainda mais lenha na fogueira, Sheene resolveu mudar-se para a Yamaha, a equipe de Roberts em 1981. Embora formassem um Dream Team, a troca de farpas era constante: “eu só me levanto da cama de manhã para superá-lo”, disse certa vez o norte-americano. “Ele não consegue desenvolver nem uma gripe”, respondia o britânico quando perguntado sobre o talento do rival como desenvolvedor.

Após a aposentadoria de ambos, a rivalidade naturalmente arrefeceu. Roberts, ainda continua sendo um sujeito pragmático e de poucas palavras, mas lamentou muito a morte prematura de Sheene, vítima de um câncer em 2003.

07 – Eddie Lawson x Wayne Gardner

wayne-gardner-e-eddie-lawsonO pioneirismo de Roberts deixou vários frutos e um dos melhores era Eddie Lawson. Igualmente californiano e de temperamento arredio, ‘Stedie Eddie’ foi campeão pela Yamaha em 1984 e 1986. Um tri consecutivo só não aconteceu porque a Honda contava com os serviços do mítico Freedie Spencer, campeão nas 250cc e 500cc em 1985.

Mas Spencer logo perdeu o ímpeto pela vitória e, para sucedê-lo, a Honda apostava suas fichas em um australiano rude chamado Wayne Gardner. Com um estilo de pilotagem bruto mas corajoso, o piloto logo mostrou a que veio, vencendo a primeira etapa de 1986, em Jarama, na Espanha.

eddie-lawson-e-wayne-gardner-sessao-de-fotos-para-o-gp-dos-estados-unidos-de-1988Em 1987, graças a um motor canhão, Gardner teve o impulso que precisava para chegar ao título mundial, o que fez Lawson destilar muito veneno pela imprensa. O norte-americano, incapaz de segurar o australiano nas retas, dizia que as pistas tinham uma “linha Honda”, onde você era obrigado a deixá-lo passar.

Outro momento impressionante aconteceu em 1988, quando os Lawson e Gardner foram chamados para uma sessão de fotos que promoveria o Grande Prêmio dos Estados Unidos daquele ano. Os dois tiveram que se encarar frente a frente, deixando o clima elétrico, de acordo com o assistente Dennis Kanegae no depoimento abaixo.

Eu estava lá e ajudei a preparar a sessão de fotos. Tive que ligar para a Yamaha e levar Lawson para Las Vegas, onde a Honda estava tendo sua convenção de revendedores. Peguei-o no aeroporto em uma limusine (o chefe da American Honda me disse para tomar uma limusine e não um táxi, porque ‘nós queremos mostrar a Eddie como a Honda funciona’. Quando Eddie entrou e disse ‘uau, uma limosine?’ respondi, é assim que a Honda faz. No ano seguinte Eddie foi para a Honda e eu pensei ‘Ok, entendi agora…’ Nós montamos uma espécie de estúdio em um quarto de hotel, com luzes e um pano de fundo. Mark Clifford fez alguns takes e ver eles interagindo foi muito legal. Quando Lawson entrou, a temperatura do quarto caiu uns 20 graus, quero dizer, era irreal. Eddie não piscou nem uma vez… ele é o cara mais frio do mundo.

Para provar que era superior, Lawson fez o que parecia impossível na época: deixou a Yamaha para juntar-se à Honda, equipe do rival em 1989. O quarto título veio, mas Gardner fraturou uma perna e a batalha acabou acontecendo com Wayne Rainey. No total, Lawson e Gardner ocuparam os dois primeiros lugares das corridas 20 vezes (o americano venceu 11, o australiano 9).

06 – Wayne Rainey x Kevin Schwantz

wayne-rainey-e-kevin-schwantzA rivalidade entre esses dois começou muito antes de ficarem conhecidos na MotoGP. Ambos norte-americanos, Schwantz e Rainey eram completamente antagonistas na personalidade e pilotagem: O californiano da Yamaha era discreto e preciso. O texano da Suzuki, extrovertido e exuberante.

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O GP do Japão de 1988 foi um dos mais eletrizantes da história.

Essa divergência entre entrou em choque já nas corridas de Dirty Track norte-americanas, continuou quando subiram juntos para as corridas transatlânticas internacionais e se tornou de conhecimento público quando se encontraram na pista de Suzuka durante o Grande Prêmio do Japão de 1988. O pega entre os dois naquela etapa é, até hoje, um dos maiores momentos do motociclismo.

Rainey deu mais sorte na carreira. Além de competir na equipe de Roberts, tinha uma competitiva Yamaha YZR500 à seu dispor. Já Schwantz era o líder absoluto da Suzuki, uma moto bem inferior com um orçamento muito mais modesto. Vencê-lo era uma obsessão para o texano, que debochava do rival sempre que isso acontecia.

Isso aconteceu várias vezes, como no GP da da Alemanha de 1991, quando Schwantz realizou uma magistral ultrapassagem na última volta deixando Rainey completamente surpreso. E novamente na etapa seguinte na Holanda, quando o piloto da Yamaha errou na pressão do rival e precisou de muito convencimento para subir ao pódio.

A rivalidade rendeu ótimas disputas e histórias deliciosas, por isso quando Rainey ficou paralítico após um grave acidente no circuito de Misano em 1993 todo mundo ficou sinceramente chateado. Não por acaso, o campeão daquele ano foi Schwantz, que nunca mais recuperou a mesma motivação.

05 – Scott Russel x Carl Fogarty

scott-russell-x-carl-fogarty-1993Inaugurado em 1988, o Mundial de Superbike (WSBK) também é interessante, pois realiza corridas com as motos disponíveis em uma concessionária comum, fator que estimula uma grande rivalidade entre fabricantes e pilotos.

O campeonato começou a ganhar notoriedade em 1993, quando passou a ser televisionado para o mundo inteiro. Essa foi a temporada em que Scott Russell se sagrou campeão pela Kawasaki e Carl Fogarty realizou seu primeiro ano pela Ducati. Os dois se odiaram no ato e os espectadores puderam curtir cada momento das tretas.

Fogarty era talentoso e desbocado, mas aparentemente precisava odiar profundamente seus rivais para superá-los: “Eu achei Russell arrogante e bobo“, admitiu Foggy em sua autobiografia. “Mas eu provavelmente precisava odiá-lo porque ele queria ganhar tanto quanto eu. A rivalidade intensificou minha agressão e me fez um piloto melhor e mais focado”, analisou.

Norte-americano da Georgia, Russell não ficava atrás e revidava à altura, se recusando a apertar a mão do rival ou até mesmo a reconhecer Fogarty no pódio. Sinais nada amistosos entre os dois era algo bastante recorrente também. O britânico chegou ao ponto de batizar o seu porco vietnamita (!!) com o nome do desafeto.

Em 1994, Fogarty finalmente derrotou Russell, que imediatamente decidiu pela aposentadoria. Outros três títulos viriam ao longo da década fazendo do britânico um ídolo a ponto de participar – e vencer – um reality show inglês. Anos mais tarde, Fogarty faria um pedido de desculpas à Russell pelas redes sociais admitindo ter exagerado na dose algumas vezes.

04 – Ben Spies x Matt Mladin
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Ben Spies persegue Matt Mladin em Laguna Seca, 2007.

Como você já deve ter notado, ter o posto de astro ameaçado por um jovem desafiante pode ser algo difícil para alguns pilotos. Esse também foi o caso do australiano Matt Mladin, que depois de vencer o campeonato norte-americano (AMA Superbike) seis vezes subitamente viu seu reinado ameaçado por Ben Spies.

Até o início dos anos 2000, o AMA Superbike era um campeonato de alto nível, capaz de exportar talentos para o mundial na Europa. Nascido nos subúrbios de Sidney, Mldadin começou seu reinado em 1999 sendo interrompido apenas em 2003 por um cometa chamado Nicky Hayden. Mais três títulos e recordes vieram até 2005 quando Spies foi anunciado como seu companheiro de equipe na Yoshimura Suzuki para 2006.

Nascido em Memphis, Ben Spies, assim como o conterrâneo Elvis Presley teve uma ascensão meteórica e deixou o companheiro de equipe no chinelo em 2006, com 10 vitórias, 17 pódios e o título norte-americano em seu ano de estreia na classe principal! Frustrado e humilhado, Mladin recorreu à guerra psicológica para tentar recuperar a vantagem.

Comentários para lá de maldosos como Ele ainda tem sua mãe por perto limpando sua bunda” só serviram para fazer Spies andar ainda mais forte. A temporada 2007 foi a mais acirrada entre os rivais, decidida por apenas um ponto. Outro título veio em 2008, tornando Spies no quarto piloto a vencer três campeonatos seguidos, depois apenas de Reg Pridmore, Fred Merkel e… Mat Mladin.

Em 2009, Mladin voltou a ser campeão mundial, mas havia um motivo muito simples para isso: a essa altura, Spies já estava na Europa para disputar (e vencer) o World Superbike. Avesso à polêmicas, o norte-americano disse elegantemente que chegar ao título mundial foi fácil, porque não tinha Mladin em seu caminho.

03 – Mike Doohan x Alex Crivillé
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Crivillé e Doohan em Jerez, 1996: estilos e personalidades em conflito. (MotoGP)

O seu primeiro rival é o seu companheiro de equipe, já diz o ditado. Outra característica comum entre os pilotos citados é o fato deles terem dividido as atenções em sua própria garagem, situação que conduz ainda mais eletricidade entre os pilotos. Foi o que aconteceu na Honda, entre Mike Doohan e Alex Crivillé entre 1994 e 1998.

Nascido em Brisbane, Doohan fazia jus à escola australiana de pilotos de moto: áspero, rude, talentoso e corajoso além dos limites imagináveis, tanto é que já foi tema exclusivo de uma matéria nossa aqui. Cria da Honda no World Superbike, o piloto lapidou o estilo ao lado de nomes como Gardner, Lawson, Rainey e Schwantz antes de estar pronto para o primeiro título em 1994.

Oriundo de Barcelona, Crivillé havia se sagrado campeão das 125cc em 1989, o mesmo ano em que Doohan fazia sua estreia diretamente nas 500cc. A sua primeira vitória na classe principal foi justamente o GP da Holanda de 1992, aquele em que o australiano não participou por ter quebrado a perna nos treinos. Após a retirada de Gardner, o catalão foi o escolhido para ser seu companheiro de equipe em 1994.

Enquanto Doohan encantava o mundo com suas performances avassaladoras, Crivillé era mais discreto ficando apenas em sexto no campeonato de 1994 e em quarto em 1995. Ao mesmo tempo, ele aprendia todos os truques de seu colega e utilizou tudo o que sabia na temporada de 1996, a mais competitiva entre eles.

Em Jerez de La Frontera, Doohan e Crivillé disputaram a vitória durante toda a corrida. A definição aconteceu apenas na última curva da última volta, quando o espanhol caiu deixando a vitória para o australiano. O público andaluz ficou tão louco que invadiu a pista ainda com corrida em andamento.

O auge da tensão aconteceu no final do ano em Eastern Creek, quando um muito mais veloz Crivillé tentou uma desajeitada ultrapassagem sobre Doohan, que fechou a porta e colocou os dois para fora da pista. Uma discussão acalorada se seguiu nos boxes.

Doohan conseguiu neutralizar as ameaças de Crivillé até o início de 1999, quando mais uma vez quebrou a perna e decidiu pela aposentadoria. O espanhol ficou livre para se tornar o primeiro de seu país a vencer na classe rainha do motociclismo.

02 – Valentino Rossi x Jorge Lorenzo

valentino-rossi-e-jorge-lorenzo-2016Essa é, evidentemente, uma rivalidade mais recente e de maior conhecimento do público atual. Basta olhar para as faces de Valentino Rossi e Jorge Lorenzo para concluir, com alguma rapidez, que aquelas duas personalidades não dariam certo juntas nem em um milhão de anos.

De espírito livre e tranquilo, Rossi teve o seu talento estimulado desde criança pelo pai, o também piloto Graziano. Embora tenha progredido com firmeza nas categorias de base, o italiano não parecia ser o cara a destroçar todos os recordes, conforme você vai ler logo abaixo. Ele era o homem certo para o momento certo, simples assim.

Jorge Lorenzo, por outro lado, é de outra era. Uma era estimulada pelos feitos de Rossi. O espanhol emplacou um bicampeonato consecutivo nas 250cc entre 2006 e 2007, o que o colocou em evidência com a Yamaha, que procurava um substituto para sua estrela, naquele momento cada vez mais interessada em correr na Fórmula 1, pela Ferrari.

Assim como as outras rivalidades que você leu aqui, Lorenzo se impôs desde o início não negando o papel de um “Anti-Rossi”, digamos. O italiano, no entanto, mordeu a isca e o que se viu foram pérolas como a disputa entre os dois em Barcelona, 2009. O espanhol venceu algumas batalhas, mas foi Valentino quem ganhou o título.

De lá para cá, Lorenzo foi bicampeão pela Yamaha enquanto Rossi tentou a sorte na Ducati. Voltou em 2013 e quase conseguiu o décimo título em 2015, em uma das decisões mais polêmicas da história que envolveu não apenas os dois rivais, mas também um novo nome: Marc Márquez. Muita água ainda vai passar debaixo dessa ponte.

01 – Valentino Rossi x Max Biaggi

valentino-rossi-x-max-biaggi-2001As desavenças com Lorenzo foram amargas. As discussões com Casey Stoner, desagradáveis. As atitudes de Márquez lhe tiraram o sono. Mas até hoje, nenhum rival teve tanto impacto na carreira de Valentino Rossi quanto Max Biaggi.

Chega a ser difícil mensurar o que Biaggi significava para o motociclismo italiano nos anos 90. O romano conhecido como “Mad Max” emplacou nada menos do que quatro títulos nas 250cc. Era reconhecido como um gênio ainda em formação. Era o queridinho da imprensa e ninguém tinha dúvidas de que um futuro brilhante o aguardava nas 500cc.

Mas em seu caminho estava Valentino Rossi. Embora tenha sido campeão nas 125cc (1997) e nas 250cc (1999), o italiano de Tavullia começou timidamente nas 500cc em 2000. O encontro com Biaggi na categoria principal aconteceu no ano seguinte, onde monopolizaram as atenções, correndo por Honda e Yamaha.

Logo na primeira corrida do ano, no GP do Japão de 2001, Biaggi deu uma fechada violenta em Rossi em plena reta dos boxes do circuito de Suzuka. Contudo, o futuro Doutor não esmoreceu e apontou o dedo do meio para o rival, tal qual Sheene e Roberts em 1979.

Dois meses depois, a dupla chegou às vias de fato antes do pódio no GP da Catalunha. O incidente não foi captado pelas câmeras, mas quando Biaggi foi questionado sobre uma marca em seu rosto, respondeu: “Eu só fui mordido por um mosquito“. Rossi, no entanto mostrou que era um problema maior do que um mosquito e venceu naquele ano o primeiro de seus nove títulos. 

A grande chance de Biaggi aconteceu em 2004, quando passou a competir com a Honda enquanto Rossi dera o passo mais ousado de sua carreira ao mudar-se para a então claudicante Yamaha. Mas o impossível aconteceu: nove vitórias para o Doutor e apenas uma para Mad Max. No ano seguinte outros 9×0 colocaram uma pá de cal nas discussões sobre quem era o melhor.

Não há dúvidas que o aparecimento de Rossi melou os planos de Biaggi nas 500cc. Sem dúvida, ele teria, pelo menos, um ou dois títulos na categoria rainha. Sua redenção veio apenas sete anos mais tarde com um bicampeonato no Mundial de Superbike. Os dois não se falam até hoje e Max nunca perde a chance de alfinetá-lo quando pode. Será que as histórias com Marc Márquez estarão na próxima lista?


Sobre Lucas Carioli

Publicitário de formação, jornalista por opção, principalmente sobre o motociclismo, o único "ismo" que pratica. Quando não está escrevendo ou tocando rock, está perdido em alguma estrada com sua moto.