Yamaha XSR700 com pintura “Gauloises” acelera o coração dos puristas


O programa Yard Built da Yamaha continua encantando. A iniciativa, que visa estimular a criatividade de construtores do mundo todo acaba de revelar essa bela obra de arte vinda da Bélgica, que presta homenagem à Yamaha YZR500 de Christian Sarron.

yamaha-xsr-700-gauloises-livery-2018-1Quem acompanhava as 500cc (hoje MotoGP) nos anos 1980 costuma lembrar com carinho daquela motocicleta em um tom azul brilhante proveniente da marca de cigarros Gauloises, que anos mais tarde seria campeã do mundo com Valentino Rossi, entre 2004 e 2005.

Muito antes, no entanto, a empresa patrocinava a equipe Sonauto, que além das 500cc, também era envolvida em corridas de arrancada, longa duração e até ralis. Sarron era um promissor piloto francês, uma espécie de Johann Zarco da época. Não chegou a ser campeão, mas sua presença azulada marcou de qualquer jeito.

É o caso do construtor belga Brice Hennebert, o líder da Workhorse Speed Shop. Sua empresa é uma das melhores do país e foi contatado pela Yamaha para realizar uma customização na ainda recente XSR 700.

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Christian Sarron e sua bela Yamaha YZR500 marcaram época.

A Yamaha estabelece poucas regras para o projeto: Você não pode mexer no quadro em torno do motor e não pode estender o braço-oscilante em mais de 20%. Todo o resto pode ser modificado e foi isso que Hennebert fez, optando por construir uma moto de arrancada (dragbike).

Foi então que o construtor lembrou-se da equipe Sonauto (hoje Yamaha Motor France), que competiu nas 24 Horas de Bol d’Or de 1985 com uma Yamaha FZR 750: “Para inspiração, adoro mergulhar na história de uma moto doadora“, confessa. “A face quadrada, combinada com uma carenagem completa, é uma explosão dos anos 80”.

Apesar disso, peças de reprodução são praticamente inexistentes e há poucas fotos com detalhes suficientes para estudar. Por isso a maior parte dos componentes, como todos os suportes e carenagens foram construídos pelo próprio Hennebert em sua oficina.

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A inspiração foi uma Yamaha FZR 750, que competiu nas 24 Horas de Bol d’Or de 1985.

Como não havia necessidade de um farol, a entrada de ar foi realocada para a dianteira. A rabeta é outra peça única, de alumínio,enquanto que o subquadro é formado por tubos de aço de 20 mm. O estofamento foi feito na vizinha Holanda.

O tanque de combustível original da XSR 700 deu lugar a um ponto de armazenamento eletrônico, enquanto que o reservatório foi realocado bem mais embaixo, já próximo ao solo. Só cabem dois litros de gasolina, mas suficientes para algumas corridas de arrancada.

Nas suspensões, os garfos cortados de uma velha Yamaha R1 foram suficientes. Na traseira, o braço oscilante é próprio, exatamente 20% mais comprido que original, como manda a Yamaha. O amortecedor Nitron R3foi construído especialmente para corridas de arrancada. Articulações, suportes e pinças foram todas construídas por Hennebert .

O câmbio é eletromagnético e acionado pelas mãos, através de um botão no punho esquerdo. No lado direito do guidão, há apenas mais dois botões: um para ligar a moto e outro para acionar o reservatório de nitro. E não há mais nada, exceto um tacômetro Speedhut personalizado.

E, sim, o motor foi modificado, mas não por Hebbebert. O trabalho ficou a cargo de um amigo, que tratou de melhorar o fluxo de óleo até o corpo de injeção, colocar eixos de comando sob medida, válvulas de titânio e pistões Wiseco forjados. O sistema de exaustão de aço inoxidável percorre toda a moto até uma ponteira Austin Racing.


Sobre Lucas Carioli

Publicitário de formação, jornalista por opção, principalmente sobre o motociclismo, o único "ismo" que pratica. Quando não está escrevendo ou tocando rock, está perdido em alguma estrada com sua moto.