GP da Holanda chega à sua 70º edição no Mundial. Por que Assen é tão especial?


Enquanto a Formula 1 adota o circuito de Mônaco e a Fórmula Indy as 500 Milhas de Indianápolis como suas corridas mais especiais, o Mundial de Motovelocidade tem o Grande Prêmio da Holanda realizado na “catedral” de Assen como sua prova mais amada. Mas por quê? É o que você descobre aqui.

circuito-de-assenOrganizado em 1949, o Mundial de Motovelocidade é mais antigo que a Fórmula 1 (1950) e o Grande Prêmio da Holanda está presente no calendário desde o primeiro ano. O circuito, no entanto, é muito mais antigo (1925) e realiza corridas desde então, exceto entre 1940 e 1945 devido a Segunda Guerra Mundial.

A pista original tinha nada menos do que 16,54 quilômetros e era chamada de Troféu Turista, nome que permanece até hoje: “Em 1925 foi o primeiro Dutch TT, mas não em Assen“, garante Egbert Braakman, que era o secretário do circuito entre 1970 e 2006. “Foi em uma aldeia chamada Rolde, sete quilômetros a leste de Assen.”

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O circuito permaneceu assim até 1955, quando foi reduzido pela primeira vez para 7,7 quilômetros, por questões de segurança. Em 1984 ocorreu a terceira e maior modificação, que encurtou a pista para 6,1 km. O layout atual, de apenas 4,5 km, foi inaugurado em 2006, passando por pequenas adaptações desde então.  Apesar disso, o Grande Prêmio da Holanda continua sendo chamado de AssenTT ou DutchTT.

A natureza do circuito permite corridas divertidas e disputadas até o final. Em 1975, por exemplo, Giacomo Agostini e Barry Sheene protagonizaram uma épica chegada onde, devido ao arcaico sistema de cronometragem da época, ambos foram declarados vencedores! Mais tarde, atribuiu-se a vitória ao britânico.

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Giacomo Agostini e Barry Sheene fizeram história em 1975.


A pista também pode ser especialmente difícil e traiçoeira, principalmente sobre piso molhado. Em 1992, os campeões Wayne Rainey e Mike Doohan foram para o hospital com sérias fraturas nos treinos. Durante a corrida, Kevin Schwantz e Eddie Lawson colidiram em alta velocidade, com a vitória caindo no colo de Alex Crivillé, a sua primeira nas 500cc.

A introdução de uma chicane no trecho final da pista só aumentou a emoção. Em 1991, Rainey e Schwantz decidiram a vitória ali na última volta, com o piloto da Suzuki à frente. Quinze anos mais tarde, Nicky Hayden e Colin Edwards fariam o mesmo, com o “Texas Tornado” indo para o chão. E quem não se lembra da ainda polêmica chegada entre Valentino Rossi e Marc Máquez em 2015?

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A sensacional chegada de 2006…


Rossi, por sinal, é o maior vencedor de Assen ainda em atividade, com oito vitórias na MotoGP e mais duas, nas 125cc e 250cc. A Yamaha é o fabricante mais bem sucedido com nove triunfos. A Honda tem seis, a Suzuki três e a Ducati apenas uma ainda nos tempos de Casey Stoner, em 2008.

O último piloto a vencer a corrida duas vezes consecutivas foi Rossi, em 2004 e 2005. Entretanto, Giacomo Agostini e Mick Doohan ganharam a prova cinco vezes seguidas em suas épocas, com o italiano vencendo 14 no total. Mas o maior vencedor de Assen atende por outro nome: Angel Nieto, com nada menos do que 15 triunfos.

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…e a já clássica chegada de 2015, entre Rossi e Márquez.


E os pilotos holandeses, nunca venceram? Aconteceram poucas vezes, a primeira em 1968 com Paul Lodewijkx (50cc). Depois, o lendário Wil Hartog conseguiu uma histórica vitória nas 500cc em 1977. Jack Middleburg repetiu a dose em 1980 e desde então ninguém mais o fez na classe principal. Desde então, apenas Hans Spaan atingiu o lugar mais alto, mas nas 125cc em 1989.

E por que “Catedral”? As razões, como pode se imaginar, são religiosas. A igreja local está próxima à linha de chegada e o conselho da cidade não queria que as pessoas deixassem de ir à missa no domingo, já que as estradas eram fechadas para a corrida. Desse modo, as provas eram realizadas no sábado, uma exclusividade do GP da Holanda, o que durou até 2016. História é o que não falta!


Sobre Lucas Carioli

Publicitário de formação, jornalista por opção, principalmente sobre o motociclismo, o único "ismo" que pratica. Quando não está escrevendo ou tocando rock, está perdido em alguma estrada com sua moto.