Como funciona a tinta “autocorretiva” da Kawasaki Ninja H2 2019?


Na semana retrasada, a Kawasaki apresentou a linha Ninja H2/H2R 2019 com mais potência e tecnologia do que nunca. Mas o que mais chamou nossa atenção foi a tal de “tinta autocorretiva”, capaz consertar sozinha pequenos riscos. Que maravilha é essa? É o que você descobre aqui.

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A tinta da Kawasaki é a primeira do tipo em motos de série. (Fotos: Kawasaki)

No material distribuído para a imprensa norte-americana, a Kawasaki não entrou em maiores detalhes, descrevendo-a apenas como “uma pintura extremamente durável, utilizada em todas as partes da carroceria sem carbono e com um revestimento especial que permite que certos tipos de arranhões se reparem e que seu acabamento de alta qualidade mantenha-se através do desgaste normal”.

Notas:

  1. Em alguns casos, leva mais de uma semana para a recuperação.
  2. A tinta não recuperará no caso de arranhões causados por moedas, chaves, ou zíperes.


O kit de imprensa europeu da Kawasaki fornece um pouco mais de informação: “Desenvolvido internamente pela Kawasaki, o tempo entre o aparecimento de um pequeno arranhão e a ‘cura’ está numa liga diferente, semelhante à sistemas automotivos, que podem levar semanas para curar completamente.

Tintas autocorretivas não são novidade no setor automotivo. Marcas como Mercedes-Benz, Nissan e Toyota já ofereceram pinturas semelhantes em carros durante algum tempo, mas ultimamente elas são mais encontradas através de fabricantes independentes no mercado de restauração e personalização. No entanto, a Kawasaki é a primeira a oferecê-las em motos de produção.

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O objetivo da pintura autocorretiva é impedir riscos comuns de uso, principalmente no tanque de combustível.

Os norte-americanos do Motorcycle.com foram atrás de mais informações e descobriram que a Kawasaki havia protocolado no Escritório de Marcas e Patentes dos EUA uma pintura autocorretiva, capaz de recuperar-se de arranhões entre 10 a 20 minutos a temperaturas ambientes de 26-30º. Ou seja, consideravelmente mais rápido do que a tinta utilizada em alguns carros, que podem levar semanas.

A fórmula é da Natoco, uma empresa japonesa de tintas e foi apresentada pela primeira vez em 2014 na Display Week, uma feira para a indústria de displays eletrônicos. Aparentemente, a firma via mais potencial para uso em smartphones e outros dispositivos portáteis, antes de seu uso em veículos automotores.

Trata-se de um material de liga de polímero que evita arranhões usando o que a Natoco chama de “efeito de curling” e “efeito de trampolim”. O primeiro é um revestimento liso e escorregadio que resiste a danos, deslizando qualquer material abrasivo ao longo da superfície sem deixar manchas. O segundo efeito descreve como a resina contém “camadas macias” que recebem elementos recuados e duros (de um arranhão) que fazem com que a reentrância retorne ao seu estado original, semelhante ao efeito de um trampolim.

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A fórmula da empresa Natoco envolve várias camadas e conceitos inéditos.

A Kawasaki argumenta que pinturas autocorretivas, são mais necessárias em motos, porque a carroceria entra em contato com o condutor com mais frequência do que em carros e pode criar pequenos arranhões. O tanque de combustível, por exemplo, pode ser constantemente danificado pela própria roupa e áreas próximas à ignição também podem ser riscadas por chaves ou chaveiros.

Em uma motocicleta como a Kawasaki H2/H2R, cuja pintura escurece no escuro e produz um brilho espelhado na claridade, pequenos arranhões como esses são particularmente notáveis. Não por acaso, o modelo com a tinta especial tem um preço diferenciado. Nos EUA, a nova Ninja H2 foi tabelada em US$ 28.000 (R$ 111.720,00) e a H2R em US$ 55.000 (R$ 204.369,00 sem taxas de importação e impostos).


Sobre Lucas Carioli

Publicitário de formação, jornalista por opção, principalmente sobre o motociclismo, o único "ismo" que pratica. Quando não está escrevendo ou tocando rock, está perdido em alguma estrada com sua moto.