Como funcionam os revolucionários painéis digitais em TFT?


Uma das evoluções mais notáveis ao longo dessa década foi a introdução dos painéis digitais em TFT, que parecem estar aposentando em definitivo os antigos mostradores analógicos e transformando os outrora modernos displays de LCD em peças de museu. Confira como eles funcionam aqui.

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É bom se acostumar. Os painéis em TFT já estão presentes até em modelos menos caros como a Duke 390. (KTM)

Painéis inteiramente digitais existem em motos há mais de duas décadas, mas foi apenas nos últimos anos que vimos uma real evolução em relação aos antigos displays em LCD convencionais com a introdução da tecnologia TFT (Thin Film Transistor).

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A telas de TFT utilizam uma sobreposição de camadas com diferentes funções.

Desenvolvido pela japonesa Hitachi em 1996, os monitores em TFT foram introduzidos primeiramente no mundo da aviação, a fim de melhorar o ângulo de visão deficiente e a fraca reprodução de cores dos painéis das aeronaves da época.

Seu nome vem de sua principal característica, já que as moléculas de cristal movem-se paralelamente ao plano do painel, ao invés de de perpendicularmente a ele. Essa alteração reduz a quantidade de dispersão de luz na matriz, o que confere ao visor seus amplos ângulos de visão e boa reprodução de cores.

No motociclismo, o primeiro painel em TFT apareceu em 2012 na Ducati Panigale, utilizando o mesmo tipo de tela de alta resolução que manuseamos todos os dias em nossos telefones celulares. Ou seja, podem exibir qualquer informação que você queira, em qualquer formato, não ficando restrito ao formato “estático” dos displays em LCD.

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A R1200GS já possui um painel de TFT moderníssimo… (BMW Group)

No painel com LCD, os pixels usam propriedades químicas e elétricas para criar uma imagem na tela. Uma carga elétrica faz com que os cristais líquidos alterem a estrutura molecular para permitir que diferentes comprimentos de onda da luz de fundo passem, alterando a exibição que vemos.

Já o painel de instrumentos em TFT apresenta várias camadas de filtros, que determinam exatamente a quantidade de luz que passa e as cores criadas. Esses filtros e camadas controlam o fluxo de luz e de cor enquanto um pequeno transistor controla cada pixel. A camada superior abriga a tela visível e a luz de fundo é fornecida por LEDs.

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… assim como a Harley-Davidson e seu Boom!Box GTS System.

A recepção das informações fica a cargo de um chip gráfico na placa do circuito. Ele leva os dados coletados pela Centralina Eletrônica (IMU) da motocicleta e determina como cada um dos pixels é utilizado para exibi-los ao motociclista, o que exige outra quantidade impressionante de trabalho do dispositivo.

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Painel de LCD: peça de museu, em breve.

Para fazer a imagem, primeiramente o chip cria um quadro a partir de linhas retas. Em seguida preenche os pixels restantes e determina a iluminação, a textura e a cor para criar uma única imagem, que é então constantemente desenvolvida e atualizada a 30 quadros por segundo. Isso significa que qualquer tipo de exibição é possível, em vez de apenas os parâmetros tradicionais da motocicleta.

Por enquanto, os paineis em TFT estão disponíveis apenas em modelos premium, mas a sua introdução em motocicletas mais “acessíveis” como a pequena KTM 390 Duke evidencia o quanto a tecnologia está se alastrando rapidamente pela indústria.  À medida que os sistemas ficarem mais baratos, os antigos painéis eletromecânicos e com LCD se tornarão coisa do passado.


Sobre Lucas Carioli

Publicitário de formação, jornalista por opção, principalmente sobre o motociclismo, o único "ismo" que pratica. Quando não está escrevendo ou tocando rock, está perdido em alguma estrada com sua moto.