Por que a Honda retirou CBR500R de produção? Entenda os motivos


A Honda do Brasil decidiu encerrar, na semana passada, a produção da CBR500R, versão esportiva da família de bicilíndricas que ainda faz muito sucesso por aqui e lá fora. Então, por que a marca japonesa fez isso? Entenda os motivos aqui.

CBR500R: o visual moderno e esportivo não foi suficiente para convencer no mercado brasileiro. (Divulgação)

Questionada sobre o fim da CBR500R, a Honda disse apenas que houve uma mudança de estratégia, que será direcionada agora a esportivas com maior tecnologia como a CBR650F e a CBR1000RR Fireblade, as únicas carenadas que permanecem oferecidas no catálogo da marca no Brasil.

Lançada mundialmente em 2013, a linha 500cc marcou o retorno da Honda ao segmento de meio litro na qual sempre se destacou, mas que estava ausente desde 2004 com o fim da antiga CB500E, um grande sucesso brasileiro na era “pré-Hornet”.

Com um chassi do tipo Diamond de aço e um moderno motor de 471 cm³, com duplo comando, oito válvulas e refrigeração líquida, a plataforma 500cc é compartilhada entre três modelos bem diferentes: a urbana CB500F, a aventureira CB500X e a “esportiva” CBR500R. As duas primeiras caíram no gosto popular, mas a carenada não. Por quê?

Desempenho pacato

O motor de dois cilindros e 50,4 cv era o mesmo das outras versões. (Honda/Divulgação)

Talvez aí resida um dos problemas da CBR500R: a motocicleta, embora tenha posição racing e carenagens inspiradas nas irmãs das pistas não é, de fato, esportiva. O motor é religiosamente o mesmo das outras versões rendendo apenas 50 cv a 8.500 rpm, muito pouco para justificar uma sigla tão importante.

Para se ter uma ideia, a CBR500R tem apenas 11 cv a mais que a antiga Kawasaki Ninja 300, sua concorrente direta, e somente 6 cv a frente da KTM 390 Duke. Ironicamente, a antiga CB500E era mais potente: 54 cv a 9.500 rpm, com um comportamento nitidamente mais nervoso. Isso nos leva ao segundo motivo para sua retirada de serviço

Concorrência feroz

Modelos adversários como a Ninja 400 custam menos e oferecem mais esportividade. (Kawasaki/Divulgação)

Embora a Honda ainda domine o mercado brasileiro, com mais de 70% de market share atualmente, a situação mudou muito por aqui nos últimos anos, principalmente nos segmentos superiores. Hoje, além da sempre presente Yamaha, outras marcas marcam concorrência de forma oficial. Além das já citadas Kawasaki e KTM, nomes como BMW, Triumph, Ducati, Harley-Davidson oferecem opções atraentes.

Ainda em 2009, a Kawasaki iniciou uma nova tendência: a das superbikes de pequena cilindrada com a Ninja 250R. A moto, que depois virou Ninja 300, hoje tem 400 cilindradas e 45 cv a 10.000 rpm. Não demorou muito para a Yamaha fazer o mesmo com a YZF-R3. Ambas possuem uma alma muito mais esportiva que a CBR500R. E ainda há a KTM 390 Duke que, embora não seja carenada, também abocanha parte da fatia.

Preço salgado

No exterior, a CBR500R continua sendo oferecida. (Divulgação)

Ainda disponível em algumas concessionárias, o modelo 2018 da CBR500R está sendo comercializado por cerca de R$ 25.600,00. No auge da crise brasileira, no entanto, seu preço chegou a ultrapassar os trinta mil reais. A Yamaha YZF-R3, enquanto isso é oferecida a R$ 23.290,00  e a novíssima Kawasaki Ninja 400, R$ 23.990,00.

Apesar de tudo, a CBR500R continua sendo oferecida no exterior, onde até ganhou alguns retoques no Salão de Milão do ano passado. Seu motor agora está rendendo 4% a mais entre 3.000 e 7.000 giros ficando… mais esportiva. Além disso, ganhou iluminação toda de LED e indicador de marchas no painel. Vai deixar saudade?