Superbike Brasil: falta de segurança divide patrocinadores do campeonato. Entenda


A morte do piloto Danilo Berto, no último final de semana, está dividindo os apoiadores do Superbike Brasil. Assim como Honda e Yamaha, a Kawasaki também suspendeu sua participação no campeonato até que uma maior segurança seja estabelecida. Motul e Pirelli, no entanto já disseram que permanecerão no certame.

A marca verde, que voltava ao Superbike Brasil através do apoio oficial à equipe JC Team anunciou ontem (28) condolências aos familiares e amigos de Berto e a suspensão de sua participação no campeonato. Honda e Yamaha também já haviam feito anúncios semelhantes na véspera.

Também estão acontecendo, no entanto, manifestações de apoio. A Pirelli, por exemplo, disse que continuará: “A Pirelli participa há mais de dez anos do desenvolvimento desta categoria de motovelocidade no Brasil e suportará, dentro do âmbito de sua competência, as decisões que o organizador, as equipes, os pilotos, as montadoras e todos os demais entes envolvidos irão implementar para melhorar a segurança do campeonato“, comunicaram.

Em Interlagos, as áreas de escape são pequenas. (Divulgação)

Pelo mesmo caminho foi a fabricante de lubrificantes Motul: “A Motul entende que o esporte a motor tem um papel fundamental na formação de uma sociedade, contribuindo para a construção de boas relações, trabalho em equipe e fortalecimento da paixão pelo esporte“, disseram. “Por esse motivo, comunicamos que permanecemos com apoio ao Superbike Brasil, optamos por estar ao lado da organização na busca pelas melhorias necessárias“. Alex Barros e Tecfil Racing também já deram manifestações de apoio.

A morte de Danilo Berto foi a segunda no circuito de Interlagos em menos de dois meses. O piloto de 35 anos caiu na Curva do Pinheirinho durante o Warm Up e faleceu por volta das 16h de domingo (26). Em abril, Mauricio Paludete também veio a óbito quando colidiu com um muro de concreto após o “S do Senna” na segunda rodada do campeonato.

Os acidentes fatais reacenderam as discussões sobre a falta de segurança do circuito de Interlagos, principalmente para corridas de motos. Inaugurado em 1940, o autódromo tinha originalmente quase oito quilômetros de extensão e ficava em uma região praticamente desabitada àquela altura.

O passar dos anos, no entanto, transformou a região de Interlagos em uma das mais densamente habitadas da cidade de São Paulo. O circuito passou por uma grande reforma para a Fórmula 1 em 1990, onde adquiriu o seu layout atual, com 4,3 quilômetros de extensão. Apesar das melhorias exigidas pela categoria, o entorno da pista ainda contém poucas áreas de escape e muros muito próximos.

O circuito não é homologado pela Federação Internacional de Motociclismo (FIM), que exige padrões de segurança mais elevados para a participação dos campeonatos com sua chancela, como a MotoGP. Contudo, com a extinção do autódromo de Jacarepaguá (RJ), o circuito mais atualizado no momento é o de Goiânia (GO), de acesso bem mais difícil para as equipes, a maioria delas sediadas em São Paulo.

Atualização em (30/05/19): em virtude de todos os acontecimentos, os organizadores do Superbike Brasil decidiram adiar a próxima etapa, que estava originalmente programada para 16 de junho. Além disso a prefeitura de São Paulo decidiu suspender preventivamente, por 60 dias, todos os eventos de motociclismo em Interlagos. Só serão permitidos eventos de passeio, com velocidade controlada e sem caráter competitivo.