Nos EUA, vendas da Harley-Davidson LiveWire ainda não decolaram


Apesar da alta expectativa, a Harley-Davidson está tendo dificuldades em vender a nova LiveWire, principalmente a um público mais jovem, nos Estados Unidos. A revolucionária motocicleta elétrica está encontrando mais adeptos entre os fãs habituais da marca.

A LiveWire é a grande aposta da Harley-Davidson para conectar-se com as novas gerações. (Divulgações)

A análise partiu da agência de notícias Reuters, que entrevistou cerca de 40 de 150 concessionárias nos Estados Unidos, e verificou-se que a maioria dos pedidos estão vindo de clientes mais velhos e que já possuem uma Harley-Davidson na garagem.

Trata-se de um problema, pois esperava-se que a LiveWire ajudasse a marca de Milwaukee a se conectar a um público mais jovem e mais consciente das preocupações ambientais, tal como a Tesla conseguiu na indústria automotiva.

Com vendas em declínio nos Estados Unidos há três anos, a Harley-Davidson busca uma renovação de seu principal público alvo, ainda composto basicamente de Baby Boomers, pessoas nascidas imediatamente no período pós Segunda Guerra Mundial.

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Concessionárias apontam que o interesse existe, mas o preço é muito alto.

Em 2018, eles viram o maior declínio de vendas em décadas, mas conseguiram manter o caixa relativamente em ordem graças à penetração em mercados emergentes, como Índia e Brasil. A previsão é de o ano fiscal de 2019 também seja fechado no negativo.

Buscando novos adeptos, a Harley-Davidson revelou, no ano passado, o programa “More Roads“, anunciando uma nova mentalidade de produzir e comercializar seus produtos tendo a LiveWire como um dos baluartes principais.

Elogiada pelos clientes da marca e pela imprensa especializada, a LiveWire possui um motor elétrico capaz de impulsioná-la a 100 km/h em menos de 4 segundos. O modelo ainda conta com um nível de sofisticação nunca antes visto na história da empresa.

Mas as pré-encomendas, até agora, não confirmam essas esperanças, segundo os revendedores. “É atraente para um público que já pilota“, disse um gerente de Chicago. Sua concessionária recebeu quatro encomendas para a moto, todos de pilotos experientes. A Harley se recusou a comentar sobre o assunto.

Um dos principais fatores pelo desinteresse na LiveWire está no seu (alto) preço: US$ 29.799 (R$ 123 mil), o equivalente a um Tesla Model 3. Em comparação, a Zero SR/F outra motocicleta elétrica apresentada esse ano está sendo comercializada por US$ 20.995 na versão premium, com baterias ainda mais fortes e recarga mais rápida.

Zero SR/F: quase US$ 10 mil mais barata que a LiveWire.


Outro problema é que a LiveWire visa um mercado que realmente não existe: motociclistas jovens, “verdes” e influentes pela primeira vez. “O interesse é muito alto“, disse um gerente de Nova Jersey. “Mas quando você chega ao preço, o interesse é jogados pela janela.”

Mais da metade do público alvo da Harley-Davidson com a LiveWire (jovens recém-formados) recebe empréstimos para estudantes, que envolvem o reembolso médio de US$ 200 a US$ 300 por mês. Contudo, a marca não oferece nenhum desconto ou incentivo para impulsionar as vendas, disseram os concessionários.

Mesmo a Zero, uma marca que só vende motocicletas elétricas também está tendo dificuldade em vender a SR/F. Um revendedor de Chicago, disse que ainda não vendeu nenhuma SR/F para motociclistas com menos de 35 anos. “Os jovens pilotos são ambientalmente conscientes, mas também são muito sensíveis ao preço“, opinou.