10 circuitos legais que já fizeram parte da MotoGP


Já tivemos um autódromo dos bons para receber a MotoGP, assim como outros nove lugares ao redor do mundo. Confira aqui, 10 circuitos legais que já fizeram parte do calendário da categoria.

10 – Imatra (Finlândia)

Giacomo Agostini em Imatra. Não é qualquer circuito que é atravessado por trilhos de trem!

O Grande Prêmio da Finlândia vai voltar ao calendário em 2020, graças ao já construído Autódromo de KymiRing, perto de Helsinki. Mas o país nórdico já recebeu o mundial de velocidade no circuito de Imatra, inclusive por bastante tempo, de 1964 a 1982.

Usada principalmente para corridas de moto, Imatra tinha 6.030 metros de extensão, mas uma versão mais curta passou a vigorar a partir de 1979. Nomes como Phil Read, Angel Nieto, Giacomo Agostini e Barry Sheene tem vitórias lá. A pista ainda existe, mas tem sido utilizada apenas para eventos locais.

09 – Phakisa (África do Sul)

Valentino Rossi venceu em Phakisa sua primeira corrida pela Yamaha.

Hoje parece incrível, mas o esporte a motor visitava com frequência a África do Sul em plena era do Apartheid. Com o Mundial de Motovelocidade não era diferente, primeiro no circuito de Kyalami, depois no mais moderno Phakisa Freeway, entre 1994 e 2004.

Com 4.24 km de extensão, Phakisa ainda conta com um anel externo de 1,5 milhas inspirado no oval de Las Vegas. Foi lá que Valentino Rossi ganhou a sua primeira corrida pela Yamaha logo em sua estreia, após um pega sensacional com Max Biaggi. Desde 2014, no entanto, o autódromo só hospeda eventos nacionais.

08 – Anderstorp (Suécia)

Vizinha da Finlândia, a Suécia também hospedou muitas corridas de Fórmula 1 e de Motovelocidade no circuito de Anderstorp, uma cidadezinha de apenas 5 mil habitantes, no sul do país, a mais de 400 km da capital Estocolmo. No caso das motos, a etapa se fez presente entre 1971–1977 e 1981–1990.

Com cerca de quatro quilômetros, Anderstorp se destaca por uma longa reta principal com 980 metros de extensão e curvas de raio longo, com certo ângulo de inclinação, o que tornava o ajuste de carros e motos desafiador. Seria interessantíssimo observar o comportamento das motos atuais nessa pista, hein?

07 – Grobnik (Iugoslávia)

Eddie Lawson e Randy Mamola na primeira fila do GP da Iugoslávia de 1986.

Ainda mais insólito que o Grande Prêmio da África do Sul foi termos uma corrida no autódromo de Grobnik, na antiga e turbulenta Iugoslávia, país socialista ao lado da Itália que existiu entre 1918 e 1992. E o Mundial de Motovelocidade correu lá entre 1978 e 1990!

O autódromo de Grobnik fica em uma região muito bonita em Čavle, que hoje faz parte da Croácia. Com cerca de 4 quilômetros, o sinuoso circuito era composto de duas retas e 13 curvas de alta e baixa velocidade. Nomes como Franco Uncini, Eddie Lawson e Kevin Schwantz têm vitórias lá.

06 – Spa-Francorchamps (Bélgica)

O autódromo de Spa-Francorchamps dispensa apresentações para qualquer um que conhece corridas. Além das corridas de Fórmula 1 e Endurance, o famoso circuito belga também recebeu a MotoGP entre 1949 e 1990, ou seja, tanto no circuito antigo (de 14 quilômetros) como no atual, reduzido para pouco mais de 7 km.

Aqui, no entanto, cabe uma boa notícia. Os responsáveis por Spa-Francorchamps estão se mexendo bastante nos últimos anos para voltar a sediar corridas de moto. Ainda esse ano, um acordo foi firmado com o Mundial de Endurance (EWC) para hospedar uma etapa de 24 horas em 2022. Mas os belgas também querem a MotoGP. Oremos!


05 – Suzuka (Japão)

Kevin Schwantz lidera o pelotão em Suzuka, 1991. Alex Barros acompanha com a Cagiva número 12.

Motegi é um autódromo muito legal, mas quem assistiu as corridas do Campeonato Mundial em Suzuka não se esquece daquelas madrugadas agitadas. O desafiador circuito de 5,8 quilômetros ao lado de Nagoya sempre sediou etapas espetaculares de moto.

Com uma temperada variação de curvas rápidas e lentas, Suzuka recebeu o Mundial de Motovelocidade em doze oportunidades  entre 1987 e 1998. Momentos antológicos foram vividos lá, com o sensacional pega entre Kevin Schwantz e Wayne Rainey em 1988 e o múltiplo duelo pela vitória na edição de 1991.

04 – Donington Park (Inglaterra)

Casey Stoner lidera as primeiras voltas em Donington, 2008.

No motociclismo, o mais tradicional autódromo britânico é Donington Park e não Silverstone, como muitos pensam. O circuito de 12 curvas e 4.023 metros localizado no condado de Leicestershire, na Inglaterra foi inaugurado em 1931, antes de ser utilizado como depósito de veículos militares durante a Segunda Guerra Mundial. Haja história!

Depois de permanecer anos em mau estado, Donington Park foi reinaugurado em 1977 para corridas internacionais e eventos de música, como o Monsters Of Rock e o Download Festival. A MotoGP correu lá entre 1987 e 2009 gerando momentos históricos, como a primeira vitória de Valentino Rossi nas 500cc em 2000.

03 – Estoril (Portugal)

Toni Elias, Valentino Rossi e Kenny Roberts jr. na histórica chegada de 2006.

Localizado próximo à cidade turística de Cascais, Estoril era o principal e maior circuito de corridas de Portugal até a construção do Autódromo Internacional do Algarve em 2008. Basta dizer que foi lá onde Ayrton Senna venceu a sua primeira corrida de Fórmula 1, em 1985.

Com 4,5 quilômetros de extensão, Estoril se destaca por uma longa reta de chegada de 986 metros e uma variedade de curvas de alta e baixa velocidade. Recebeu o Mundial de Motovelocidade entre 2000 e 2012 com provas sensacionais, como a de 2006 em que o espanhol Toni Elias venceu pela primeira (e única) vez superando Rossi por apenas 0s002!

02 – Laguna Seca (Estados Unidos)

Nicky Hayden a caminho de sua primeira vitória na MotoGP, em Laguna Seca, 2005.

De novo: o Circuito das Américas em Austin é muito legal, mas… não chega aos pés de Laguna Seca. O ambiente árido da região de Monterey, na Califórnia, com seus lagartos e serpentes sempre à espreita, além da lendária rodovia “Mulholland Drive” e seus milhares de motociclistas fanáticos nas proximidades, nos proporcionava uma combinação imbatível.

Construído em 1957, Laguna Seca é um circuito curtinho, com apenas 3.602 km e 11 curvas em um terreno acidentado, e que nos proporcionou a criação da famosa “Corkscrew” (Saca-rolhas), local onde Valentino Rossi realizou aquela extraordinária ultrapassagem sobre Casey Stoner em 2008 e provou de seu próprio remédio pelas mãos de Marc Márquez em 2013. Volta Laguna!

01 – Jacarepaguá (Brasil)

Alex Barros com a Repsol Honda no GP do Brasil de 2004.

É difícil falar do Autódromo Nelson Piquet em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, Brasil sem sentir um aperto no coração. Já tivemos um autódromo de primeiro mundo na cidade mais turística do Brasil e, por razões ainda inexplicáveis, o deixamos ser desativado e demolido em 2012 por políticos e empresários inescrupulosos.

Inaugurado em 1977, o circuito tinha 5.031 metros de extensão em um terreno plano e com curvas de alta como a “Sul”, de média como a “Nonato” e de baixa como a “Lagoa”, além de uma longa reta oposta com espaço mais do que suficiente para ultrapassagens antológicas. Tudo isso muito antes desse tipo de pista se tornar padrão na FIA e FIM.

Além disso, Jacarepaguá estava localizado em uma região privilegiada do Rio de Janeiro, o que significava que os pilotos corriam às margens da lagoa homônima e com vista para o Pão de Açúcar. Ou seja, além de técnica, a pista era um verdadeiro sonho de consumo para qualquer marqueteiro e promotor de eventos. Basta constatar que quase todas as fotos tiradas lá viraram cartões-postais.

Jacarepaguá sediou o Grande Prêmio do Brasil entre 1995 e 1997 e depois novamente entre 1999 e 2004, muito por causa do sucesso de Alex Barros, um piloto que o público não chegou a desfrutar totalmente em seu auge. Foi lá que Valentino Rossi conquistou seu terceiro e último título mundial pela Honda em 2003 e anunciou sua ida para a Yamaha no ano seguinte. Pergunte a ele ou a qualquer piloto internacional sobre o que achava de correr em Jacarepaguá. Você vai se surpreender.