Harley-Davidson enfrenta conflito com seus investidores


Enquanto o mundo combate a pandemia de coronavírus, a Harley-Davidson está em conflito com seus investidores, o que ameaça ainda mais o futuro da marca norte-americana.

De acordo com informações da Agência Reuters, o fundo de investimentos “Impala Asset Management”, dono de 1,2% da empresa, tentou nomear dois de seus nomes de confiança para ocupar o lugar de Matt Levatich, CEO da Harley-Davidson demitido em janeiro.

O conselho administrativo da Harley, no entanto rejeitou os dois nomes dizendo, em um documento, que eles não trariam novas habilidades e se recusou a se entender com o fundo de investimentos parceiro, quando este abordou a empresa pela primeira vez sobre novas nomeações para o conselho.

A Impala se aproximou do Conselho e defendeu a remoção do então CEO Levatich e uma modesta atualização do próprio Conselho. Acreditávamos então, e ainda acreditamos, que a marca teve um desempenho inferior ao seu potencial sob o Sr. Levatich e que o Conselho deveria ter agido por conta própria”, afirmou o Impala Asset Management em um documento.


Matt Levatich foi demitido em janeiro.

A Harley-Davidson, então, nomeou Jochen Zeitz, ex-CEO da fabricante alemã Puma e membro do conselho de longa data como CEO interino em 28 de fevereiro. O empresário foi um dos líderes da motocicleta elétrica LiveWire e do projeto More Roads, que visa rever completamente as estratégias de venda da empresa.

Isso, contudo, foi feito apenas poucos dias antes do presidente dos Estados Unidos Donald Trump interromper o fluxo de voos com a Europa, o que finalmente alertou o ocidente para os perigos do Coronavírus, pandemia que já contabiliza mais de 17.000 mortos em todos os continentes.

Desde então, Zeitz está trabalhando remotamente e se comunicando por videochamadas com seus colegas. Uma porta-voz da empresa disse que o executivo está “em processo de mudança para Milwaukee”, onde a Harley está sediada, mas não ofereceu mais detalhes.

A situação da Harley-Davidson é complicada. Com as vendas em declínio nos últimos quatro anos, a marca de Milwaukee tenta se reinventar, à medida que seu público alvo (composto basicamente de baby boomers) envelhece e o mercado muda, com maior ênfase em sustentabilidade e globalização.

Com a pandemia de coronavírus atingindo os Estados Unidos, a marca ainda teve que interromper a produção nas suas fábricas em Milwaukee e na Pensilvânia, depois que um de seus funcionários testou positivo para o COVID-19. A paralisação está prevista inicialmente até 29 de março.