Joey Dunlop: conheça o maior piloto de corridas de estrada de todos os tempos


O dia 2 de julho de 2000 foi apenas mais um para muita gente, mas para muitos motociclistas significou o fim do mundo. Joey Dunlop, o piloto mais vitorioso das corridas de estrada estava morto. Conheça sua história aqui.

Segundo de sete filhos de um mecânico de automóveis, Joey Dunlop cresceu em Ballymoney, na Irlanda do Norte, o berço das corridas de estrada. Inicialmente pensou em uma carreira militar, mas quando, aos dezesseis anos, comprou sua primeira motocicleta, sua vida mudou.

Os empregos que conseguiu como motorista de caminhão, montador de aço, carpinteiro e até dono de pub tinham como único objetivo financiar o seu interesse pelo motociclismo. Com um talento inexplicável, não demorou muito para chegar ao Troféu Turista da Ilha de Man em 1976, no último ano em que a corrida sediou uma etapa do Campeonato Mundial, antes de ser deixada de lado pela FIM por razões de segurança.

Em 1977, Dunlop já subiu ao pódio na classe principal, Senior TT ao terminar em quarto lugar, a menos de 4 minutos do lendário Phil Read. A primeira vitória também veio esse ano, na “Jubilee TT”, categoria de 1.000cc que só foi disputada naquela temporada por causa do jubileu de prata da Rainha Elizabeth II.

A próxima vitória não aconteceria antes de 1980 no Classic TT, mas nesse meio tempo vieram as primeiras conquistas no Ulster Grand Prix e North West 200, duas provas velocíssimas e de grande perigo e renome na Irlanda do Norte. Mas a partir de 1984, a presença de Dunlop no pódio seria uma constante, muitas vezes em primeiro lugar.


As corridas de estrada também tinham um campeonato, o chamado “Formula One TT World Champion”, onde Dunlop foi terceiro em 1981 e primeiro em todos os anos entre 1982 e 1986, além de segundo entre 1987 e 1989. Talvez seu ano mais bem sucedido no Troféu Turista tenha sido 1988, quando venceu as classes Junior TT, Fórmula 1 TT e Senior TT. Mas então, houve um acidente.

Em 24 de março de 1989, Dunlop estava competindo no Eurolantic Motorcycle Challenge, no circuito de Brands Hatch, quando se envolveu em um acidente com o piloto belga, Stephane Mertens. O britânico teve uma perna quebrada, costelas fraturadas e pulso quebrado. Aos 38 anos, muita gente já pensava que a carreira de Dunlop estava terminada. Mas após uma longa recuperação, igualou as 14 vitórias de Mike Hailwood no TT aos quarenta anos de idade, em 1992.

Dunlop no North West 200 de 1987.

No ano seguinte, Dunlop repetiu a dose e alcançou o recorde isolado de 15 vitórias na ilha. Dali em diante, seus triunfos foram de dois a dois: Ultra-Lightweight e JuniorTT em 1994, Lightweight e novamente SeniorTT em 1995. No final do milênio, as estatísticas de Dunlop eram impressionantes: 23 vitórias na Ilha de Man, além de outras 24 no Ulster Grand Prix e outras 13 no North West e 200.

Seu segundo acidente grave aconteceu na Tandragee 100 de 1998, onde perdeu a ponta do dedo da mão esquerda, teve uma pélvis rachada, uma clavícula quebrada e um osso fraturado na mão direita. Não por acaso, 1999 foi um raro ano em que não conquistou nenhuma vitória no TT.

Supersticioso, Dunlop corria sempre com uma camiseta vermelha e um capacete amarelo.


Então chegou o fatídico ano 2000. Depois de mais três vitórias incontestáveis na Ilha de Man (Formula One, Lightweight e Ultra-Lightweight elevando seus triunfos para 26), Dunlop foi disputar uma corrida em Tallinn, na Estônia.

Dunlop estava na liderança de uma corrida de 125cc (ele já havia vencido as provas de 750 e 600cc) no circuito de Pirita-Kose-Kloostrimetsa, quando perdeu o controle na pista molhada e foi de encontro às arvores. A morte foi instantânea.

Dunlop na Ilha de Man em 2000.

Para se ter uma ideia de sua importância, a televisão norte-irlandesa transmitiu a cobertura ao vivo de seu funeral. Ministros do governo de Londres, Belfast e Dublin estavam presentes. Cerca de cinquenta mil pessoas, incluindo motociclistas de todas as partes da Grã-Bretanha e do mundo assistiram à procissão rumo ao cemitério.

Um memorial foi erguido em sua cidade natal, Ballymoney. Uma pedra também foi instalada no local do acidente em Tallinn. Mas a homenagem mais marcante está na Ilha de Man: Montado em uma Honda, a estátua de Dunlop parece observar os pilotos que passam pela Snaefell Mountain.

Além de todas as suas qualidades como piloto, Dunlop também era admirado por sua personalidade. Tímido, era conhecido por ser totalmente desinteressado por qualquer tipo de fama, evitando voos de primeira classe e hotéis cinco estrelas. Em Tallinn, tinha um quarto de hotel exclusivo, mas geralmente preferia dormir em sua van, ao lado das motos.

Além de tudo, Dunlop era um filantropo doando uma grande quantidade de alimentos, roupas, brinquedos e fraldas à orfanatos na Albânia, Romênia e Bósnia. Países na Europa Oriental que eram perigosos de se estar nos anos 1990 e que visitava sozinho, sem qualquer tipo de publicidade.

Dunlop, deixou a esposa, três filhas e dois filhos. Mas o seu legado continuou através de sua família. O irmão Robert competiu até seu próprio acidente fatal nos treinos para o North West 200 de 2008. Dez anos depois, foi a vez de seu filho William encontrar-se com a morte na Skerries 100.

Atualmente, apenas o filho mais novo de Robert, Michael Dunlop carrega o sobrenome da família nas corridas de estrada, já somando consideráveis 19 vitórias apenas no TT. Será que o sobrinho é capaz de superar os recordes do tio famoso? Só o tempo vai responder.