A era das motos de 250cc com quatro cilindros


A chegada da Kawasaki Ninja ZX-25R chocou muita gente com seu motor de quatro cilindros e apenas 250 cm³. Mas essas motos já foram muito populares no oriente. E nem faz tanto tempo assim.

No final dos anos 1980, o Japão estava acelerando tão rápido quanto o ponteiro de rotação de uma moto esportiva. Graças a um forte programa de reconstrução após a Segunda Guerra Mundial, a indústria japonesa tornara-se forte e virara sinônimo de qualidade e inovação tecnológica em todo o mundo.

O mesmo acontecia nas pistas, com a Fórmula 1, 500cc, 8 Horas de Suzuka e campeonatos nacionais adquirindo um enorme interesse internacional e um público massivo a cada corrida. Como as motocicletas ainda eram a principal forma de transporte pessoal para a maioria da população, não demorou muito até as duas coisas se cruzarem.

Motos esportivas dominavam as vendas no Japão durante esse período mas, ao contrário do ocidente, o país sempre impôs severas restrições de tributação e de licença a modelos acima de 400cc. Máquinas de pequeno deslocamento tornaram-se a escolha esmagadora da maioria dos motociclistas e os fabricantes tiveram que se adaptar a isso.

Honda, Yamaha, Suzuki e Kawasaki já eram gigantes, com reputação estabelecida no ocidente, cada uma a sua maneira com as linhas esportivas CBR, FZR, GSX-R e ZX-R, respectivamente. As limitações japonesas fizeram com que cada uma criasse versões de 250cc de seus modelos mais icônicos.

Elas têm muitas coisas em comum, principalmente no motor, todas com quatro cilindros em linha, duplo comando de válvulas (DOHC), quatro válvulas por cilindro (16V) e refrigeração líquida, como é padrão hoje em dia. Algumas, no entanto vão além, com soluções de engenharia e design avançadas, quase excessivas.


Honda CBR 250 (1986-1996)

CBR 250: a mais equilibrada.

Apresentada em 1986, a CBR 250 (o RR veio bem depois) era considerada uma das mais mais equilibradas da época. O motor de quatro cilindros era capaz de girar até 18.500 rpm, o que lhe conferia  45 cv na primeira geração. Depois, a potência foi reduzida para 40 cv (30 kW) em 1994, quando a lei japonesa mudou.

O braço oscilante em alumínio curvilíneo é idêntico ao da NSR 250, de dois tempos, e o quadro de dupla trave de alumínio escovado permitia que o ar entrasse diretamente no motor, em uma época que a tecnologia “Ram Air” ainda não havia aparecido. Isso possibilitava uma velocidade máxima em torno dos 180 km/h.

De acordo com a imprensa da época, a CBR 250 era capaz de fazer um tempo surpreendentemente bom em uma pista de corridas, embora exija um pouco de sapateado na alavanca de câmbio, graças à falta de torque em baixos giros. Multiplique por dois o número de mudanças de marcha que você faria em uma 600cc e por três em uma mil e você entenderá.


Yamaha FZR 250 (1986-1995)

FZR 250: a mais ágil.

No Brasil dos anos 1980, Yamaha era sinônimo de dois tempos. Mas no exterior, a marca dos diapasões tinha a série FZR com motores de quatro cilindros em linha (e quatro tempos) fazendo muito sucesso com os modelos de 600cc, 750cc e 1000cc.

Para o mercado japonês, eles criaram a FZR em miniatuara em 1986. Todas as soluções de estilo são as mesmas, desde a carroceria esportiva até o quadro conhecido como “Deltabox” aqui, porém, de aço ao contrário do alumínio das irmãs maiores.

Baseado na FZR 600, o motor da FZR 250 contava com um curso maior (de 34,5 mm) trabalhando com pistões menores de 48 mm. A potência máxima de 45 cv era atingida a 14.500 rpm. Com pneus mais estreitos, a esportiva era conhecida por sua agilidade e bom comportamento em curvas.


Suzuki GSX-R 250 (1987–1994)

GSX-R250: a mais macia.

A Suzuki GSX-R 250 apareceu no Japão junto com o lançamento da segunda geração da família, no final de 1987. Visualmente idêntica à suas irmãs de 750cc e 1000cc, a pequena um quarto de litro era mais modesta por baixo da roupa, com um quadro em berço duplo de aço, embora a balança fosse de alumínio.

O pequeno diâmetro de 49mm combinado a um curso extremamente curto de 33mm significa que o motor tetracilíndrico da GSX-R250 gostava de gritar, resultando em uma linha vermelha aos 17.000 rpm. A potência máxima é de 45 cv (33,1 kW) a 14.000 rpm com o torque de 2,5 kgf.m a 10.500 rpm. O câmbio tinha seis marchas.

A Suzuki GSX-250 teve duas gerações: a primeira, de 1987 a 1989 e a segunda de 1990 a 1994, quando a produção foi encerrada devido a restrições nas leis japonesas. Leve (138 cv), mas com suspensões convencionais ajustadas mais para o suave, a motocicleta era considerada um pouco mais preguiçosa em curvas.


Kawasaki ZXR 250 (1989-1999)

ZXR 250: a mais esportiva.

Lançada em 1988, já como modelo 1989, a Kawasaki Ninja ZXR 250 era a imagem e semelhança da Ninja ZX-7R ostentando, inclusive, mesmas as entradas de ar tubulares que passavam por dentro da carenagem da irmã famosa. A potência era de 45 cv a 15.000 rpm, com um torque máximo de 2,6 kgf.m a 11.500.

Claramente mais sofisticada que as rivais, a ZXR 250 já contava com bengalas invertidas, chassi e balança de alumínio, discos de freio duplos de 300mm e pneus maiores, de 110/70-17 na dianteira e 140/60-18 na traseira. O curso e o diâmetro são os mesmos da Suzuki, mas como os quatro carburadores Keihin são maiores (30mm), o comportamento da Ninja é o mais agressivo e nervoso de todas.

Não por acaso foi a esportiva de 250cc que durou mais tempo no Japão, até 1999. Foram cinco gerações, a última, por sinal, muito semelhante à Kawasaki Ninja 250R que ressurgiu bicilíndrica uma década mais tarde. Os tempos haviam mudado e, como sempre, as fabricantes seguiram os desejos do consumidor. Será que o mesmo vai acontecer agora?