Entrevista exclusiva com Brandon Cretu

O Notícias Motociclísticas entrevistou Brandon Cretu, mais um piloto que esteve no Troféu Turista da Ilha de Man em 2015. O norte-americano nos contou os desafios enfrentados nessa edição e quais serão as principais corridas que pretende participar até o final do ano.

Brandon Cretu, o entrevistado da vez no Notícias Motociclísticas. (Foto: Site Brandon Cretu Racing)

Brandon Cretu, o entrevistado da vez no Notícias Motociclísticas. (Foto: Site Brandon Cretu Racing)

Os Estados Unidos tem muita tradição no motociclismo. Nomes como Kenny Roberts, Freedie Spencer, Eddie Lawson e muitos outros colocaram a América no hall da fama dos circuitos fechados. O mesmo, no entanto, ainda não acontece nas corridas de estrada, como a North West 200, Ulster Grand Prix e a mais tradicional de todas, o Troféu Turista na Ilha de Man.

Nesse quesito, Brandon Cretu já pode se considerar um pioneiro. Nascido na Pensilvânia, o piloto de 30 anos é atualmente o principal representante dos Estados Unidos nas principais corridas de estrada do mundo. Nesse ano, Cretu participou pela sexta vez consecutiva do Troféu Turista, pilotando uma Bimota BB3 nas categorias Superbike, Superstock e Senior TT.

Nesse bate-papo, Cretu nos conta como conheceu a legendária corrida, quem lhe inspirou a começar a correr, os desafios enfrentados nesse ano e como faz para superar a constante ameaça de um acidente fatal nas ainda muito perigosas corridas de estrada. Confira!

Brandon Cretu acelerando durante a prova do Senior TT no Troféu Turista da Ilha de Man 2015. (Foto: Graham Ellis)

Brandon Cretu acelerando durante a prova do Senior TT no Troféu Turista da Ilha de Man 2015. (Foto: Graham Ellis)

Notícias Motociclisticas: Qual foi a sua inspiração para começar a correr no Troféu Turista?

Brandon Cretu: Para ser sincero, o TT foi uma coisa descobri por acaso, enquanto eu estava assistindo o YouTube por volta de 2007! Eu vi aquilo e tive um “momento”… Eu soube na hora que era o que eu pretendia fazer na vida. Três anos depois, em 2010, eu estava competindo pela primeira vez lá. Vai soar como clichê, mas acho que foi uma espécie de encontro com meu destino.

NM: Quais são seus grandes ídolos no motociclismo?

BC: Não posso dizerque tiveexatamente um “ídolo”. Assim como muitaspessoas ao redor do mundo, sou um grande fãde Valentino Rossie você sempre me encontrarátorcendo por ele! Entretanto, mais do queter um “herói”, eu tenho admiração pilotos profissionaisque nãovêm de famíliasque lhes providenciaram tudode mão beijada.

Pilotos que encontraram uma maneira de ganhar a vida, depois de iniciar por conta própria e em uma idade mais velha… esse tipo de gente eu admiro e respeito demais! Nomes como Troy Bayliss, Mat Mladin, Josh Hayes, e Gary Johnson se destacam em minha mente como os pilotos que eu respeito e admiro.

NM: Quais foram os principais métodos de preparação que você usou para o Troféu Turista desse ano?

BC: Fiz um programa de treinamento completo com um amigo que é personal trainer. Nós realizamos exercícios para perder peso, juntamente com kettlebells e remo. Além disso, eu também sou um ávido mountain biker e ando de supermoto regularmente para manter minhas habilidades afiadas.

NM: E o que tens a dizer sobre a prova desse ano? Ficou satisfeito com os resultados?

BC: Eu diria que, sem dúvida, o TT 2015 foi o meu melhor! Consegui chegar em 31º na extremamente competitiva categoria Senior TT e registrei uma volta à 121,7 mph! Eu realmente não poderia pedir mais do que isso, dadas as circunstâncias. Tivemos uma nova moto, a Bimota BB3, que nunca tinha estado no TT antes, então tivemos que desenvolvê-la por nossa conta. Acho que fizemos um trabalho sensacional.

NM: O que você acha que mudou para melhor de 2014 para 2015 e o que ainda pode ser aprimorado para tentar obter resultados ainda mais significativos nos próximos anos?

BC: Definitivamente estive mais confortável com a moto e com a equipe este ano, em comparação à 2014. Competir na Northwest 200 (corrida de estrada que antecede o TT) também me ajudou imensamente quando cheguei à Ilha de Man. Meu corpo e mente já estavam habituados para as altas velocidades nas rodovias. Eu também estive mais bem condicionado fisicamente do que nunca.

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NM: Das classes que você participou, em comparação com outros anos, qual que você acha que teve um maior crescimento de performance durante as corridas?

BC: Corro na Superbike, Superstock, e Senior TT desde 2012. Para mim, que corri com a mesma moto em todas as três classes, o desempenho é geralmente o mesmo em todas elas. Mas, é incrível o quanto o ritmo aumentou globalmente em todas as categorias. É chocante pensar que você nem sequer entra no top 10 se não rodar à pelo menos 130 milhas por hora! Eles (os organizadores) nem te deixam pilotar no próximo ano, se você não conseguir pelo menos 120 mph de média ou mais.

NM: Este ano, algumas sessões foram adiadas ou até canceladas devido ao mau tempo, além de alguns acidentes. Isso te atrapalhou de forma alguma, ou você conseguiu manter o mesmo foco?

BC: Todos os anos, isso sempre é uma luta para pilotos e equipes no TT. As interrupções e os acidentes sem dúvida me atrapalharam em termos de desenvolver a moto e buscar tempos competitivos. Eu geralmente não tenho problemas para me manter focado, já participei de seis edições da prova, então estou bastante habituado com os atrasos que podem e vão acontecer inevitavelmente. Todas as equipes e competidores estão na mesma situação, então eu sempre tenho isso em mente.

NM: Infelizmente, tivemos um acidente fatal envolvendo Franck Petricola e outro grave com Jamie Hamilton. Como isso afeta o emocional de um piloto? Você pensa em desistir quando isso acontece, ou sempre pensa em continuar, sabendo dos riscos?

BC: Quando um concorrente, companheiro ou amigo se machuca ou perde a vida em um acidente, você definitivamente pára e pensa sobre o que está fazendo. Eu só tento seguir em frente, lembrando que a última coisa que eles iriam querer é que que todos parassem de competir. Nós todos sabemos e aceitamos os riscos quando corremos no TT. Isso me faz desfrutar de cada volta e cada respirada ainda mais…

NM: Como está a audiência do TT nos Estados Unidos? Você acha que tem aumentado o número de telespectadores que acompanham o Tourist Trophy?

BC: A audiência e os fãs do TT nos EUA definitivamente aumentou nos últimos anos. A prova agora é mostrada na TV, em um canal de esportes muito popular, o que ajuda. A mídia social também colaborou para divulgar o espetáculo e os vídeos que estão espalhados em mídias sociais realmente captam a atenção e imaginação dos norte-americanos.

NM: Quais são seus planos até o final do ano? Quer participar de todos eventos importantes?

BC: Vou estar correndo com a Bimota no Ulster Grand Prix em agosto, na Irlanda do Norte. Depois, nós vamos até a China, para o Grande Prémio de Macau, em novembro.

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No momento, Cretu pode ser o único piloto a representar os Estados Unidos nas corridas de estrada. (Foto: Reprodução Facebook)

NM: Você acha que há outros pilotos bons dentro dos Estados Unidos que podem competir no Troféu Turista no futuro?

BC: Há alguns pilotos que já demonstraram interesse em competir no TT, mas nenhum deles tentou levou a empreitada realmente a sério. Eu gostaria de poder dar-lhe alguns nomes ou um nome de piloto que poderia vir da América e fazer bonito, mas eu sinceramente não posso neste momento! Parece que os fãs terão que que se conformar comigo! (risos)

Para finalizar, mande uma mensagem para os brasileiros que são seus fãs, assim como do Tourist Trophy.

BC: Eu aprecio todo o apoio vindo do Brasil e adoro saber sobre meus fãs por aí! Também é bom ver os brasileiros apoiar tanto o Troféu Turista! Obrigado!

Sobre Daniel Machado

Estudante de administração, aprendeu a gostar das corridas em duas rodas graças a Alex Barros. Curte também um bom Rok'n Roll e viajar pelo Brasil. Escreve sobre corridas desde 2009 e acompanha diversas categorias sobre as duas rodas.

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