MotoGP: Fausto Gresini morre aos 60 anos de Covid-19


A equipe Gresini Racing veio a público informar hoje (23) a morte de seu fundador, Fausto Gresini, poucos dias após completar 60 anos, em um hospital de Bolonha, na Itália. O dirigente estava internado desde o final do ano passado lutando contra a Covid-19.

Gresini contraiu a doença em meados de dezembro e precisou ser internado no hospital Santa Maria della Scaletta, em Imola, no dia 27. Mas, com a sua situação deteriorando-se rapidamente, os médicos decidiram transferi-lo para o mais preparado Hospital Maggiore em Bolonha no dia 30.

Desde então Gresini lutava contra uma pneumonia, infecção pulmonar, febre incessante e insuficiência respiratória. O italiano, que foi muito elogiado pelos médicos pela sua determinação, chegou a melhorar bastante a ponto de ‘comemorar’ o seu aniversário de 60 anos ao lado da esposa e fazendo uma videoconferência com amigos.


Gresini em seu ano mais bem sucedido como piloto, 1987.

Infelizmente nas últimas semanas, o seu quadro clínico voltou a piorar necessitando auxílio da ventilação mecânica e colocando em coma induzido pelos médicos. Durante esse quase três meses de internação, os demais órgãos vitais ficaram comprometidos, o que normalmente acontece com as vítimas da Covid-19, que já ceifou mais de 2,4 milhões de pessoas no mundo, quase 96 mil só na Itália.

Sempre irrequieto e bem humorado, Fausto Gresini foi piloto no Campeonato Mundial entre 1983 e 1994 conquistando dois títulos (1985 e 1987) um vice (1986), além de 21 vitórias, 17 poles e 13 voltas mais rápidas na classe 125cc. Ainda é dele o recorde de maior número de vitórias em uma única temporada – 10 em 1987.


Gresini com Alex Barros em 1997.

Logo após se aposentar como piloto, Gresini começou a montar a sua própria equipe, a Gresini Racing, que estreou nas 500cc em 1997. O dirigente foi um dos primeiros a reconhecer o talento de Alex Barros dando-lhe uma Honda NSR500 pintada nas cores da bandeira do Brasil por dois anos.

Sempre reconhecida como uma das melhores equipes independentes do grid, a Gresini Racing contou com nomes que entraram para história, como Sete Gibernau, Daijiro Kato, Marco Melandri, Marco Simoncelli e Alvaro Bautista. Antes de aliar-se à Aprilia em 2015, eles já acumulavam 41 pódios, 14 vitórias e três vice campeonatos.


Tendo feito seu nome na classe 125cc, Gresini era um grande incentivador de jovens talentos. O italiano foi um grande defensor de Marco Simoncelli, mesmo quando fora acusado de pilotagem perigosa, antes de seu acidente fatal no GP da Malásia de 2011. Nos últimos anos alavancou as carreiras de Niccolò Antonelli e o atual campeão da Moto2, Enea Bastianini.

Em 2020 Gresini atuou ao lado de Hervé Poncharal como membro da IRTA (a associação das equipes) ao lado da Dorna Sports para bolar um novo calendário possível de realizar em meio ao auge da pandemia, que acabaria por vitimá-lo também.


Gresini em 2020.

Ironicamente, dias antes de sua internação, Gresini havia anunciado a renovação de seu compromisso com a MotoGP até 2026 novamente como equipe independente, ou seja, separando-se da Aprilia a partir de 2022.

Ainda na semana passada, suas equipes na Moto3 e Moto2 apresentaram suas formações para a temporada 2021. Na classe iniciante, seus pilotos serão o jovem Jeremy Alcoba, de apenas 19 anos e o argentino Gabriel Rodrigo, de 24 anos. Na categoria intermediária, são dois pilotos italianos promissores, Niccolò Bulega e Fabio Di Giannantonio.